Aprendi a unidade da mente e do corpo, mental, física e espiritual. As técnicas da terapia da mentalização, meditação, relaxamento há mais de 40 anos com a mentora espiritual MARIANA JATHAHY DE PAULA BARROS. Podemos chamar também de terapia do sonho uma viagem profunda experimental na vida interior são formas de sonhos que geram realidades.
Durante 300 anos, a medicina oriental tem separado corpo e a mente e hoje ela explora as conexões entre mente, corpo e espírito.
Minha experiência clínica dá um testemunho não só do efeito da mente sobre o corpo, no poder das imagens mentais. Mas também na cura de doenças.
A utilização médica de imagem é comum há séculos em muitas culturas em todo o mundo. Como no Tibet, Índia, África, Egito, etc...
Um fato pouco conhecido é o de que, certa vez,Sigmund Freud, a figura mais influente na psicologia do século XX, foi bem-sucedido ao usar imagens no tratamento de um menino de 14 anos que sofria de um tique físico. Ele fez e o curou em uma única sessão com sucesso. Esse foi o único tratamento que tenho conhecimento concluído com sucesso que tenha usado imagem mental como técnica terapêutica.
A técnica de imagens mentais ajuda para limpar as convicções negativas do tipo erva daninha e substituí-las por convicções positivas. A medida que você se torna jardineiro de seu próprio jardim, a auto-cura se torna possível. Uma vez que se torne jardineiro você passará a ter um poder sobre a sua própria saúde. Esta é a esperança, força, autoridade e liberdade genuínas que podemos usufruir das imagens mentais. Sempre com muita fé que é o antídoto do fracasso e com DEUS no coração e no pensamento.
Muita luz!
Simplesmente Maria
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Em verdade vos digo que, senão vos converterdes e não vos tornardes como as crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.(Jesus de Nazaré )
Quando conseguimos ser como crianças, compreendemos que em todos os adultos existe uma criança que quer, desesperadamente ser conhecida. A criança é plena e o adulto, vazio. A plenitude da criança evidencia-se pela paz, pelo amor, pela ausência de julgamentos e pela tolerância. O vazio dos adultos revela-se no medo, na ansiedade, nos julgamentos precipitados e nas lutas. O esclarecimento pode ser visto como um processo de recordação de que no coração de uma criancinha há pureza, e esse puro e divino amor e aceitação permitem a entrada no paraíso. Estabeleça como um dos seus objetivos na vida tornar-se mais como as crianças em tudo o que fizer.
Este reino está à sua disposição agora, aqui na terra, assim como no paraíso. Tudo o que precisa fazer é converter-se. Para isso:
Passe o máximo de tempo que puder observando crianças. Ao fazê-lo, lembre-se da criança que está dentro de você que adoraria brincar com as outras. O venerável pensador Heráclito disse uma vez: "O homem está mais próximo de si mesmo quando consegue a seriedade de uma criança brincando. Seja mais como a criança, brincalhona, amorosa e curiosa enquanto faz a sua conversão ao reino do paraíso.
Quando sentir-se agindo com sisudez e insensibilidade, lembre-se de que o observador invisível dentro de você está notando seu lado sombrio. Esse observador também é inflexível? Você rapidamente verá que sua testemunha criança não pode ser, de forma alguma, como o que está testemunhando. Então jure fazer a conversão imediatamente.
Decida que "jamais permitirei que uma pessoa idosa habite meu corpo". Seu corpo pode, sem dúvida, ser alugado por um ser em processo de envelhecimento, mas aquele observador eterno, invisível, que tudo vê, continuará como a criança, inocente, pronto para entrar no reino dos céus na época designada, com tal atitude firmemente arraigada. enviada por Maria Miranda
O agorafóbico anseia por relações íntimas o claustrofóbico se sente sufocado por vínculos estreitos demais agorafobia e claustrofobia têm a ver com o amor entre um homem e uma mulher
A palavra agorafobia vem do grego agora (espaço amplo, praça pública) e fobia (medo). Já claustrofobia tem o significado oposto: é o mal-estar de se sentir num claustro, enclausurado em espaços pequenos, pouco ventilados. O agorafóbico não consegue sair sozinho na rua, principalmente se não está acompanhado. O claustrofóbico sente-se mal em elevadores, trânsitos congestionados, lugares apertados.
O claustrofóbico tem medo de túnel., que é irmão do medo de ser enterrado vivo e primo em segundo grau da irritação em fila e da sensação do sufoco num casamento. Não tem vezes que a gente se sente meio apertado na cama com o nosso parceiro? Não tem horas em que parece que o apartamento em que a gente mora é pequeno demais, que já não dá, que é preciso procurar um outro maior? Quem já não sentiu, sem mais nem menos, um calor daqueles sufocantes, que leva a gente a abrir o colarinho e querer sair rapidamente do escritório? Ora, todas essas sensações são da mesma família, são claustrofobias.
Muita gente não consegue amar ou se deixar amar por causa desse medo do aprisionamento, do medo de reduzir o espaço da própria vida. Tem gente que não gosta de criança também por causa disso. É que criança gosta de relações estreitas, de ficar tempo demais no túnel do amor e isso pode trazer essa sensação de aprisionamento.
É uma sensação inconsciente de que os desejos da pessoa, como um todo, não estão encontrando espaço para sua movimentação ou realização. Por quê? Uma hipótese é o mundo estar se opondo à realização desses desejos. A outra é que uma vaidade excessiva, um orgulho exagerado, uma suscetibilidade desmedida, uma falta demasiada de garra estejam impedindo que a personalidade se expanda e a pessoa possa viver uma vida maior um amor maior, uma realização profissional maior, um prazer sexual maior.
O engraçado é que essa sensação de aprisionamento é simbolizada por coisas físicas: o elevador, o túnel, o engarrafamento do trânsito, o sala-e-quarto, o escritório. Naturalmente, não são essas as reais cadeias. Trata-se de uma imaginária prisão interior, construída pelo próprio indivíduo. É claro que, quando a prisão é construída pelo mundo, a sensação que se tem é de ódio e não de claustrofobia.
A claustrofobia é a angústia de estar vivendo abaixo próprias possibilidades. Ou abaixo da própria voracidade. Explico. Um indivíduo que acha que poderia ter todas mulheres do mundo, sente-se abaixo de suas possibilidades e claustrofóbico dentro de uma relação monogâmica. Quanto maior for a goela, quanto maior o olho, maior a sensação de que os desejos não estão sendo realizados.
No caso da claustrofobia, esses desejos não estariam sendo realizados por falta de disponibilidade. Naturalmente, se você está preso no escritório, seu desejo de viajar ou de curtir uma praia não será atendido; se você está preso no engarrafamento, não pode estar a 120 por hora nas curvas da estrada de Santos; se você é aprisionado por uma rotina acorda, vai para o trabalho, volta para casa, janta e dorme , seu desejo de aventura, a atração pelo inesperado, a busca de mundos novos ficam para uma outra oportunidade. E isso vai criando uma ansiedade, uma angústia, uma sensação chatíssima de que a vida está passando e que não está acontecendo nada.
A claustrofobia é da área da angústia, da ansiedade, e não da depressão. A gente sente a prisão, inconscientemente, mas não fica triste nem derrubado diante dela. A gente fica angustiado. É que a tristeza é a constatação da perda do espaço do desejo. É a sensação de que, dessa vez, perdemos, não há como fugir disso. Já a claustrofobia não é esse sentimento paralisante da derrota. É a expressão dê que não nos demos por vencidos, de que não estamos conformados. Então, só nos resta agir. Por que estamos considerando a vida insatisfatória? Será que por timidez, por cautela excessiva, por falta de ousadia não estamos nos agarrando a uma vidinha chata, muito distante daquilo que achamos que merecemos?
A claustrofobia é, em suma, um grito de alerta de que estamos levando uma vida estreita, de que estamos sendo enterrados vivos por uma vida pequena, de que uma rotina exacerbada está nos tolhendo o espaço da vida, de que nossos relacionamentos não estão sendo arejados e amplos para nos permitir grandes vôos e grandes movimentos de cabeça e coração. Todos nós amamos amar. Mas se somente o amor é capaz de abrir determinados espaços, ele também fecha outros. Não é à toa que a gente diz que se amarrou em alguém. Se a gente está amarrado em alguém ou em alguma coisa -, está menos disponível para amar toda a infinidade de coisas amáveis que a vida nos apresenta.
Existe um enorme prazer em se sentir livre, de asas soltas, pés e mãos desatados para poder curtir tudo e todos. Da mesma forma que existe um enorme deleite no vínculo, existe um enorme deleite na liberdade, na possibilidade de ir e vir, de decidir a cada hora o rumo do nosso destino, de viajar por todos os jardins, de atravessar todos os mares. Enfim, é ótimo se sentir disponível. Nada, ninguém nos tolhe os movimentos. Que beleza!
É que a disponibilidade representa uma libertação de vínculos sufocantes e aprisionantes, não de vínculos em si. Disponibilidade não é sensação de extravio ou de irrevogável desgarramento. Ao contrário. Só há prazer se tivermos a segurança de que os vínculos que cortamos por nossa vontade podem a qualquer momento ser retomados.
E é exatamente a questão dos vínculos que nos leva ao problema da agorafobia, pois esta costuma ser um grito de alerta de uma existência em que os laços talvez estejam ficando frouxos demais. Esse grito fala da necessidade de vínculos mais confiáveis, mais sólidos, mais consistentes, mais permanentes. Pode ser que os laços estejam mesmo frouxos. Ou pode estar havendo uma necessidade infantil de mais amparo, colo e proteção.
O agorafóbico é aquele que sente as agonias do de paro. Ele anseia por relações íntimas. Sente-se como astronauta cuja mochila cósmica não funciona e está por i desgarrado na imensidão do espaço sideral, louco para vc1 ao aconchego da nave-mãe. Por isso o agorafóbico se angustia com espaços abertos, com multidões anônimas. Ele quer voltar para o ninho, para a casa, para o quarto, p; convívio com pessoas familiares, sem a interferência estranhos. Daí sua agonia quando se encontra em praça pública, lugares abertos e cheios de uma multidão de pessoas que nada lhe dizem, como ele nada diz a elas.
Por tudo o que dissemos até agora, podemos afirmar que a agorafobia e a claustrofobia têm tudo a ver com o amor entre um homem e uma mulher. Isso porque na imensa maioria dos casais um se sente mais para o lado da agorafobia e outro para o da claustrofobia.
O que está mais para a agorafobia está sempre morto de vontade de estar junto, enroscado, namorando, conversando. Morre de saudades quando está distante, fica corroído de ciúmes e padece um crônico sentimento de rejeição. Fica contando as horas e os minutos para a volta da pessoa amada, chega em casa logo querendo saber se houve algum telefonema e, quando na lista de recados não está seu nome, sente-se irritado e deprimido. Seu coração não sofre qualquer tipo de divisão amorosa. Não tem fantasias românticas ou sexuais com mais ninguém e sua única felicidade consiste em se reunir com a pessoa amada. Se a agorafobia alcança graus fortes, o mundo inteiro perde o sentido, pois tudo se concentra no relacionamento. Nada mais importa do que aquele amor. A força da paixão cresce e, quanto mais cresce e não é correspondida, cresce mais ainda. Os nervos ficam à flor da pele, tão à flor da pele quanto as emoções.
A parte do casal que está mais para o claustrofóbico vive o relacionamento exatamente ao inverso. Sente-se sufocada pela outra parte. Acusa-a de grudenta e pegajosa. Interpreta o que o agorafóbico chama de paixão como voracidade, uma fome sem fim, uma boca insaciável que não se contenta com nada. O claustrofóbico quer ficar sozinho ou tem fantasias românticas e sexuais com outras pessoas. Seu sentimento está todo dividido.
No fundo, considera o agorafóbico um invasor, uma ameba gigante que quer ocupar todos os espaços e devorá-lo. Enquanto o agorafóbico pára sua vida por conta da força da paixão, o que está na posição claustrofóbica se interessa, obtendo prazer, por tudo que faz, menos pelo relacionamento amoroso.
Quanto mais o que está na agorafobia se sente rejeitado, mais ele ama. Quanto mais o claustrofóbico se sente amado, menos ele ama, mais deseja se afastar.
O amor do agorafóbico afasta o amor do claustrofóbico, enquanto a rejeição do claustrofóbico aumenta o desespero amoroso do agorafóbico. O desencontro é torturante.
Como quebrar esse diabólico ciclo vicioso que infelicita a vida de tantos casais?
Equilibrando a agorafobia e a claustrofobia de cada um. Assim, ambos curtem um ao outro e ninguém fica no pé de ninguém. E ambos passam a interpretar os gestos de cada um com uma visão mais gentil e generosa.
Agora, resta saber como equilibrar a agorafobia e a claustrofobia, condição fundamental para um bom relacionamento.
Dizem os entendidos no assunto que o melhor remédio para demolir a rocha de indiferença em que se transforma o claustrofóbico é o agorafóbico, recolhendo as energias que lhe restam, ser possuído por uma fúria divina e romper o relacionamento. O claustrofóbico, na medida em que se sente mandado embora, e como é viciado em ser paparicado, corre o grave risco de entrar na posição agorafóbica. A mesma pessoa que era vista como uma megera grudenta passa a ser vista como uma princesa sem a qual não se pode viver. As mesmas coisas que, no relacionamento anterior, eram vividas como desprezível grude, agora são relembradas como inesquecíveis atos de amor. E haja saudade e desespero. E súplicas de retorno, e paixão, amor, desejo sexual. O corpo e a alma ficam em permanente estado de chama e combustão.
Esse é o remédio mais radical contra o claustrofóbico: a separação do casal, com o agorafóbico mostrando que pode viver sem aquele que até certo tempo atrás era tudo na sua vida.
Às vezes, tempos depois, os casais desse tipo se reconciliam e conseguem manter equilibradas as taxas de claustrofobia e agorafobia. Nem um fica no monopólio da posição de quem ama e luta pela relação, nem o outro fica no monopólio da posição de quem é amado e não luta pela relação.
Fazer o claustrofóbico tornar-se agorafóbico e vice-versa, virar a gangorra, de modo que quem estava por cima fique por baixo e quem estava por baixo fique por cima, é um remédio. Mas é um remédio traumático, perigoso e radical, principalmente se cabe ao agorafóbico a iniciativa da separação. Pode salvar a relação, mas também pode matá-la de vez.
Recomenda-se, pois, ao agorafóbico não se deixar instalar nessa posição no dia-a-dia. Jamais, em nome do medo, da bondade e do carinho, deixar o outro ir ficando, pouco a pouco, na confortável posição claustrofóbica, que é a do gostosão. Manter a tensão cotidianamente na relação, revelar-se verdadeiramente disposto a terminar com ela, se isso se fizer necessário, pode ser a melhor maneira de aliviar a tensão do relacionamento e não ter que romper definitivamente com ele.
A obesidade gera problemas físicos e estéticos a maioria dos gordos tem problemas emocionais o gordo sofre com sua gordura a obesidade não é felicidade.
A obesidade é um problema que afeta centenas de milhares de brasileiros. Não fossem as condições infames de vida de nossa população, afetaria dezenas de milhões. Basta dizer que, tirando a massa de pessoas que vivem em condições ultrajantes de miséria, 30% daqueles que têm o privilégio de uma mesa farta padecem de problemas de gorduras a mais do que as desejadas.
Não bastassem os inúmeros problemas físicos que geram a obesidade, existem ainda, decorrentes da obesidade, os problemas estéticos que trazem um enorme sofrimento a homens e mulheres. Principalmente porque, ao contrário da estética turca ou da estética russa, nossa cultura cultua o corpo, não diria magro, mas certamente o corpo atlético. Milhões de homens e mulheres sofrem desesperadamente por não conseguirem preencher esses ideais estéticos. A gordura derruba a auto-estima, gera constrangimentos e inibições, complexos de inferioridade, inseguranças afetivas; enfim, arruina a vida de um sem-número de pessoas.
Quem é ou já foi gordo sabe do que estou falando. E quem não é nem foi gordo também sabe, porque leva esse dado em consideração na hora de escolher uma pessoa para amar e desejar.
Apesar de ser médico, desde cedo me dediquei mais à mente do que ao corpo humano. Por isso, para abordar os aspectos físicos e genéticos da obesidade, consultei um especialista, o grande endocrinologista Arnaldo Sussekind Filho.
De todos os gordos existentes, somente 2% são gordos por causas endocrinológicas, ou seja, por problemas de glândulas. Nesses 2% há pessoas com distúrbios na tireóide (aquela glândula na base do pescoço, pelo lado da frente, onde a gente engole); distúrbios na supra-renal (como o nome indica, são glândulas em cima dos rins); e distúrbios na hipófise (uma glandulazinha do tamanho de um caroço de azeitona, situada no cérebro, pouco atrás do nariz, e que, apesar de tão pequena, tem a importância de ser a glândula que controla todas as glândulas).
A obesidade ligada à tireóide se dá quando ela funciona pouco. Como a química está devagar quase parando, a pessoa fica sonolenta, lerda de raciocínio e, mesmo comendo normalmente, não queima a comida. Logo, engorda. Não é difícil reconhecer o quadro de uma tireóide que funciona pouco. Além desses sintomas, o cabelo e as unhas enfraquecem, a pessoa sente frio, o intestino fica preguiçoso e há um desânimo geral.
A tireóide pode funcionar pouco por várias razões.
Primeira: a hipófise (aquela glândula do cérebro) não está estimulando suficientemente a tireóide. A hipófise, como já dissemos, é a glândula que controla as outras glândulas.
Segunda: a tireóide, para produzir seu hormônio, precisa de iodo. Quem mora longe do mar (que é rico em iodo) e não come direito pode ficar carente de iodo. A tireóide, então, não pode funcionar direito. Ela se esforça, cresce, mas não adianta. Esse é o quadro da papada, que, tecnicamente, é chamada de bócio, comum nas populações pobres do interior.
Terceira: a pessoa, porque tinha um caroço perigoso na tireóide, teve de operá-la e aí ficou com pouca tireóide.
Quarta: o organismo, por razões meio desconhecidas, ataca a tireóide e a deixa menor do que o necessário.
O hipotireoidismo é, portanto, uma das causas da obesidade.
A supra-renal produz um hormônio chamado corticóide. Quando, por um tumor ou por uma excessiva estimulação da hipófise, ela produz corticóide demais, surge uma obesidade típica.
O rosto incha e a pessoa fica com cara de lua.
Até aqui, porém, abordamos apenas 2% dos gordos; os 98% restantes são gordos por outras causas. Poderíamos dizer que essas outras causas não têm nada a ver com doença. Mas não é bem assim. Uns 8% possuem algo que tem a ver com doença. São os pré-diabéticos.
Temos uma glândula lá dentro da barriga chamada pâncreas. Entre outras coisas, o pâncreas produz um hormônio chamado insulina. A insulina é fundamental para o nosso corpo poder assimilar a comida que comemos. Sem a insulina, o que a gente come e vai para o sangue fica difícil de ser aproveitado pelo organismo. Quando o pâncreas está prestes a pifar, a pessoa come alguma coisa e essa coisa se converte em açúcar no sangue, mas o organismo não consegue absorvê-lo. A pessoa fica então com açúcar demais no sangue. No entanto, esse pâncreas já meio lerdo começa depois a produzir insulina. A pessoa, a seguir, absorve o excesso de açúcar no sangue, mas não só o excesso. O sangue fica com pouco açúcar e, quando ele fica com pouco açúcar, a pessoa sente fome. Logo, come mais. Come demais. Resultado: engorda.
Até agora, vimos 10% dos casos de obesidade. Os outros 90% apresentam outras razões.
Há uma porcentagem de pessoas com tendência genética a serem gordas. Geralmente são filhos de gordos, recebendo essa herança de nascença trata-se do tipo "filho de gordo gordinho é". Todavia, não chegamos nem aos 20%.
Mais uns 10% são gordos porque foram gordos na infância. São crianças que já nascem com mais de quatro quilos e viram "bebés Johnson". É que existem células no corpo que acumulam gordura e seu número dependerá de a criança ter sido gorda ou não. Crianças gordas (até os quatro anos) desenvolvem um maior número de células de gordura do que crianças magras. Logo, mais tarde terão propensão a engordar.
Boa maneira de não ser gordo na vida adulta é ser magro na infância. Desse modo, a pessoa tem poucas células que acumulam gordura. Pode comer à vontade que não engorda. Já aqueles que foram gordos na infância, se comerem muito, engordam mesmo. Portanto, quem tem filhos não deve deixá-los ficar gordos até os quatro anos de idade. Assim, estará poupando seus filhos de futuros sacrifícios com dietas.
A gordura pode ter outra causa que também não é genética. É uma causa cultural. É o que se vê em famílias turcas ou italianas, que são culturalmente boas de garfo. Os filhos herdam os hábitos alimentares.
Não devemos esquecer daqueles que são bons de copo, pois o álcool engorda quase duas vezes mais do que o açúcar. Não é à toa que até serve para movimentar automóvel. Além de abrir o apetite.
Até aqui, abordamos no máximo 40% dos gordos. O resto é gordo por problemas emocionais. É cuca mesmo.
Os médicos dizem que as pessoas engordam porque caem de boca na comida; e caem de boca na comida porque estão ansiosas, carentes ou deprimidas. Essa explicação é correta, mas insatisfatória. Não explica, por exemplo, por que certas ansiedades, carências e depressões desembocam na comilança, enquanto outras desembocam no álcool ou até na inapetência. Temos, pois, de ir mais fundo para iluminar as causas psicológicas da gordura.
Logo de saída, é bom que fique bem claro que obesidade não é felicidade. O gordo sofre demais com sua gordura. É a moça gorda que toma chá de cadeira na festa, é o rapazinho aconselhado pêlos colegas a usar sutiã, são homens e mulheres que se sentem inseguros no amor e no sexo por causa da aparência física. É gozação, chacota, zombaria por tudo quanto é lado. Não sei se nossa sociedade é mais cruel com o negro ou o homossexual do que com o gordo.
O gordo não é aquele que já nasceu com uma boca voraz, dominado por um apetite pantagruélico. Não é um tubarão ou uma piranha, sem mares e sem rios, que só vive pensando em encher a pança. Essa é uma visão superficial das coisas. Descreve o que aparece, sem
esclarecer o que não aparece; descreve os efeitos, sem dar conta das causas.
O gordo também não é, por natureza, aquele cara boa-praça, meio dessexualizado, alegre e sempre disposto a contar a última piada. Se virou pouco mais que um bonachão, é porque se viu obrigado a renunciar, com muita tristeza, à sua carreira de príncipe ou princesa, de garanhão de raça ou de tigresa. Se os caminhos do feitiço físico estão interditados, só resta, como recurso para se desviar da rota da mais negra solidão, ingressar no bom-pracismo. Se não pode inspirar paixão, que ao menos inspire afeição. Se não pode inspirar magia ou poesia, que inspire simpatia e alegria. Se não pode ter uma bela namorada, que tenha uma bela piada.
Esse processo pode se iniciar muito cedo, nos primeiros dias de vida. É óbvio que, nessa época, a criança não está preocupada com sua aparência física e nem sabe que isso existe.
Contudo, instintivamente, percebe se seus apelos são ou não correspondidos, se sua fome de correspondência está ou não sendo saciada, se, ao botar sua escola de samba na avenida ou seu bloco na rua, fez vibrar ou não as arquibancadas da Marquês de Sapucaí.
Se pressente que não, pode se constranger em voltar a desfilar, em fazer soar seu enredo, sua melodia e seu compasso. Pode até chegar a perder a esperança. Nesse caso, só resta a pança. O bonachão é aquele que não acredita mais na possibilidade de evocar paixão.
Mas chega de falar mal dos gordos. Já é hora de alguém mostrar o quanto de beleza se esconde por baixo de tanta banha. Num certo sentido, o gordo é um poeta que não conseguiu expressar toda sua poesia. É um grande amante que não encontrou correspondência. É uma grande pessoa que não conseguiu colocar para fora tudo quanto trazia dentro. Essa energia entalada, encruada, circula por dentro, freneticamente, sem encontrar escoadouro. São tantos amores que não estão podendo ser vividos, tantos sonhos que não estão podendo ser realizados, tanta beleza que não está podendo ser construída! A pessoa fica excitada, tão excitada, que acaba
perdendo a visão das infinitas nuances da sua emoção. Boa parte de si mesma perde contornos e matizes, transformando-se em difusa e indiferenciada excitação. Essa energia, para sair pela boca, não custa nada, basta um passo.
É sempre assim. Quando as emoções mais intensas, lindas e sutis não podem se realizar, ficam fissuradas, enlouquecidas, perdem sua beleza e sutileza, guardando uma tosca e selvagem intensidade. Os apetites mais intensos e refinados permanecem intensos, mas deixam de ser refinados, decaindo para os níveis mais primários. "Que me embevecer que nada, o que eu quero é comer."
É verdade que o gordo nasce de boca aberta para o mundo. Mas não nasce só de boca aberta para o mundo, nasce de corpo, peito, alma escancarados para o universo. A parcimônia e a sobriedade não são seu forte. Está possuído instintivamente por um apetite enorme. Não de comer, mas sim... de viver! Seu desejo e sua emoção estão marcados pela grandiosidade. Tudo nele está marcado pela sede de infinito. Se seu corpo é limitado, sua alma quer ocupar todos
os espaços siderais. Sua paixão arde mais quente do que o sol, sua afeição é oceânica, sua generosidade amazônica. Do mesmo modo, sua ira pode ser mais abrasadora do que as lavas de um vulcão em furiosa erupção; sua indiferença, mais gelada que um inverno polar; sua tristeza, mais desolada que as caatingas ressecadas do Nordeste.
Quem já ouviu sinfonias e sonatas de Beethoven, quem já viu quadros de Van Gogh, quem já leu versos de Garcia Lorca, quem já estudou Nietzsche, quem já assistiu a filmes de Glauber Rocha ou já chegou perto de uma escultura de Rodin, sabe exatamente do que estou falando. É um borbulhar de vida por todos os lados.
Como escoar tanta energia? Como administrar tamanhas correntes, cataratas, tempestades e cachoeiras? Como encontrar ressonância e correspondência para tanta vida?
Convivendo com pais esmagados pela miséria material ou cultural de uma sociedade repressiva?
Alguns poucos gigantes superam tudo. Já nascem irremediavelmente grandiosos. Obviamente, são poucos. Muito poucos.
O gordo é aquele que nasceu com um particular deleite pelo cósmico, pelo ilimitado, pelo substancioso, pelo tudo e pelo todos, mas que geralmente fracassa na viabilização de tão
grandioso deleite. Foi encontrando diques e barreiras por todos os lados. Como seu caudaloso fluxo de emoções não pôde se expandir, procurou o caminho das águas, driblou pedras e montanhas que se postavam no seu caminho e seguiu o sinuoso curso das possibilidades que o mundo lhe deu.
Algumas personalidades que nascem marcadas pela grandiosidade tornam-se génios, vivem uma grande vida e deixam uma grande obra. Outras desaguam em caminhos bem menos grandiosos.
Desaguam na criminalidade, na cobiça desenfreada, na sexualidade compulsiva, no delírio do poder, no álcool, nos tóxicos ou ... na comida.
O gordo é uma personalidade grandiosa que não conseguiu realizar sua grandiosidade. Alguns dos gordos podem até ser pessoas grandiosas aos olhos dos outros, mas não o são suficientemente aos seus próprios olhos. Ou realizam a grandiosidade errada.
É interessante notar que não só ingressam no comer muito, mas também no comer comidas engordativas. Nada de saladas, comidas aguadas e sem sabor. Só lhes interessa o mundo quente das elevadas calorias, onde sobram altas taxas de açúcar, mas onde quase sempre falta aquilo que eles mais querem o afeto.
As terapias do psiquismo se prolongam, às vezes, demasiadamente, para além do necessário, porque os pacientes não encontram forças espirituais necessárias para enfrentar as causas da própria instabilidade emocional. A pessoa não pode viver na dependência cega e intemperante de suas necessidades instintivas, mas deve, com um espírito revigorado, poder pautar sua vida, objetivamente, de acordo com valores universais e perenes.
O psicólogo, por seu lado, encontra dificuldades para liberar seu cliente, que acaba preferindo deixar seu tempo e dinheiro com o analista, numa dependência medrosa, ao invés de arriscar-se a enfrentar os conflitos da vida, amparado por uma disposição do espírito, que, infelizmente, não experimenta.
Embora compreendendo que a vida foi feita não para ser analisada, mas vivida, o paciente dificilmente encontra em seu espírito forças para o afastamento libertador da analise.
Embora a análise, em si, seja terapêutica, é necessário que seja limitada pelo revigoramento do espírito, que assume primordialmente, na fase final, a cura do psiquismo afetado.
Viktor Frankl, fundador da escola logoterápica, insiste na necessidade de se ativar, nos pacientes, a consciência de se dar um sentido à existência. Este sentido é dado, naturalmente, pela fé, religiosa ou não, pois a fé transmite certeza e dá sentido, reenquadra os valores em sua justa dimensão, relativiza o que é relativo, dá foros de primazia ao que é absolutamente importante e infunde grandeza interior à pessoa.
Uma pessoa, normalmente, se sente infeliz quando não tem mais nada e ninguém em quem acreditar, firme e absolutamente. Ela, então, entra em pânico a cada nova tentativa fracassada. Mas a raiz deste pânico não está no insucesso que experimenta, mas na fraqueza do espírito que não a sustenta devidamente. O seu espírito anêmico não é rijo suficientemente para arrostar a cara feia dos acontecimentos. Tal pessoa pode, até, tentar mais de uma vez a sorte no tabuleiro da vida, mas, finalmente, acabará por encolher-se em si mesma, condenando a vida como imprestável.
Não é a vida que é imprestável, mas o neurótico é que não está preparado para vivê-la. A fé, atividade do espírito, quanto mais forte e consistente for, tanto mais servirá de apoio necessário para a alegria de viver, coisa que o neurótico, em geral, não chega a conhecer.
"A frigidez é uma das razões do desencontro conjugal a criação repressiva não explica totalmente a frigidez a opressão leva ao ódio, à inveja e à frigidez."
Muitas pessoas acreditam que o desencontro sexual entre casais é uma das principais causas de tantos e tantos casamentos não darem certo. E uma das mais importantes razões de desencontro sexual é a chamada
frigidez feminina, que engloba desde a diminuição do apetite sexual por parte da mulher até uma extrema dificuldade de alcançar o orgasmo.
Às vezes a mulher possui o desejo sexual, sente prazer no ato, mas esse prazer não é completo, e deixa frustrados ambos os membros do casal. O mesmo ocorreria se, sistematicamente, na hora decisiva o homem perdesse a potência e não conseguisse completar o ato.
É óbvio que a criação imposta à mulher representa um fator muito importante na produção desse sintonia que aniquila tantas mulheres, tantos casamentos, tantos amores.
Logo de saída, aniquila amores porque, quando entre homem e mulher há desequilíbrio de libido, surgirá imediatamente uma incompatibilidade de génios. Explico-me melhor. A presença do desejo sexual hierarquiza de maneira distinta a importância das coisas de um cotidiano. Se a fome do encontro enamorado dos corpos estiver presente, imediatamente aparecerá o desejo de passar madrugadas, manhãs, tardes e fins de semana juntos, sem a presença de amigos, empregados, filhos, providências. É típico da ausência da libido um aumento de interesse pelas atividades domésticas, limpeza e decoração exagerada da casa, do zelo excessivo pêlos filhos. A fêmea cede lugar à mãe, à dona-de-casa, à quituteira. É evidente que, se o interesse sexual do homem for grande, o que ele viverá como amor, alimento, carinho será completamente diferente do que sua mulher assexuada entenderá como tal. Enquanto ele deseja ser fisicamente desejado, ela lhe preparará uma deliciosa macarronada, deixando-o cada dia mais faminto. Com o passar do tempo vai se instalando o rancor mútuo. De início haverá turbulência. Mais tarde, nem isso. Restarão somente as amargas brisas geladas da indiferença.
Todavia, dizer que a criação é responsável por essa desgraça que se abate sobre tantas mulheres a morte da sexualidade é verdade, mas precisa de uma explicação melhor. As pessoas imaginam a criação repressiva de uma forma muito mecânica. Basta juntar na cabeça da menina a ideia de prazer com pecado, sexo com sujeira, e pronto, estará instalada a frigidez.
Apesar de essa interpretação ser parcialmente verdadeira, minha experiência de psicanalista convenceu-me de que ela é superficial. Principalmente no caso de uma frigidez rebelde que se arrasta ao longo de muitos anos.
Em um nível mais profundo, a criação não reprime apenas diretamente a libido. Reprime muitas outras emoções na mulher. Reprime, por exemplo, sua iniciativa, seu espírito de luta, seu desassombro, sua capacidade inata de reagir às ofensas. Reprime, em síntese, sua sadia agressividade.
Ora, reprimindo sua agressividade, a mulher não tem mais consciência dos sentimentos profundos que lhe invadem o peito. Esses sentimentos se tornam inconscientes para ela. Estranhamente, ela deixa de sentir o que nas profundezas está sentindo.
Oprimida por sua condição de mulher, é evidente que desenvolverá ódio pelo seu opressor. Assim, sem saber, odiará as figuras masculinas e ainda invejará seus privilégios. Como então, possuída pelo ódio e pela inveja, poderá se entregar amorosamente aos homens? Essa é uma das causas da frigi dez. Ela se eterniza porque, na medida em que esses sentimentos estão reprimidos, nem o marido nem a mulher entenderão jamais o que está se passando entre eles para haver tamanho desencontro sexual. Não podem nem conversar para tentar acertar as coisas, pois não se terá o que conversar. A frigidez aparecerá como um enigma indecifrável.
Outra causa frequente da frigidez são os ciúmes. Como a agressividade feminina costuma estar reprimida, a mulher não se dá conta da extensão de seus ciúmes, por mais que os sinta. O ciúme não passa, porvezes, da ponta doiceberg. Na verdade, é muito maior ainda. Não conheço equívoco maior do que imaginar que o homem se indigna mais do que a mulher caso se sinta traído.
De onde vem esse ciúme inconsciente feminino que gera tanto fel (também inconsciente) e que torna impossível à mulher se entregar a seu homem? Vem do duplo sistema moral que reza que o homem pode ter mais aventuras extramatrimoniais, pode paquerar mais do que a mulher. Na aparência, a mulher aceita. Mas no seu inconsciente se transforma num verdadeiro Belzebu cheio de vingança.
A frigidez não gera tensão entre um casal apenas no momento do sexo. A tensão invade as madrugadas em intermináveis insónias; alcança manhãs e tardes de mútuo mau humor. Frente à frigidez feminina, o homem se sente rejeitado e a mulher, cobrada por algo que ela nada pode fazer para reverter. É evidente que, nesse clima, o desejo sexual que porventura ainda existe vai se extinguindo, soprado pêlos ventos frios do mútuo ressentimento.
Além da frigidez propriamente dita, há uma espécie de incompatibilidade de génios que surge quando o homem apresenta o desejo sexual mais forte que a mulher. Essa incompatibilidade nada tem a ver com o ato sexual em si, nem com as ressacas que dele podem advir. Em função dela, porém, o casal passa a se desentender o tempo todo, entrar em franca rota de atritos e colisões, mesmo que não esteja em cena nenhum vestígio do fracasso de noites anteriores.
Isso se dá porque a presença do desejo sexual altera a visão do mundo. Uma pessoa sexuada enxerga a vida por ângulos inteiramente diferentes, se comparada com uma assexuada. Valoriza cada coisa, cada evento de forma com-pletamente diversa. Não estou me referindo a sexomanias ou coisas semelhantes, mas à presença ou ausência daquela sadia cota de libido que a natureza nos deu.
Essa visão de mundo diferenciada em função de diferentes doses de desejo sexual vai levar o casal a se desentender nos mínimos detalhes. Vai parecer até que baixou uma espécie de Exu para infernizar diabolicamente cada instante do convívio. E de onde vem essa misteriosa maldição que gera sistemáticos desencontros? Vem da própria lógica do desejo.
Uma pessoa movida pelo desejo sexual, mesmo nos seus momentos de repouso, tenderá a enxergar o mundo, não diria como uma alcova, mas como um lugar romântico e propício ao encontro de seres enamorados. Ora, isso hierarquiza valores de uma forma diametralmente distinta do que ocorre com um olhar assexuado, inteiramente desapimen-tado. Um olhar assexuado enxergará, no cotidiano, apenas oportunidades para cafunés platónicos, cuidados maternais e requintes culinários. Um desencontro desse tipo é igual ao que ocorre entre urna pessoa faminta e outra inapetente. Sob o impacto do desejo de comer, tudo o que se referir a comida e culinária subirá de cotação na bolsa de valores interna que faz o seu pregão no coração do faminto. Se passa pela cozinha, queijos e quitutes o deixam com água na boca. Emoção completamente diferente sente a pessoa que esteja saciada ou inapetente. As mesmas comidas serão indiferentes para ela, podendo até causar-lhe repulsa.
Agora, imaginem o faminto saindo para passear com o inapetente. E se, sistematicamente, para o banquete sexual for chamado um casal desse tipo ...
Que não posso exigir o amor de ninguém,
posso apenas dar boas razões para que gostem de mim
e ter paciência para que a vida faça o resto;
Que não importa o quanto certas coisas
são importantes para mim, tem gente que não dá
a mínima e jamais conseguirei convencê-las que posso
passar anos construindo uma verdade e destruí-la
em apenas alguns segundos.
Eu aprendi:
Que posso fazer algo em um minuto e ter que responder
por isso o resto da minha vida;
Que por mais que você corte o pão em fatias,
esse pão continua tendo duas faces, e o mesmo vale
para tudo o que cortamos de nosso caminho.
Eu aprendi:
Que vai demorar muito para me transformar
na pessoa que quero ser, e devo ter paciência;
Que posso ir além dos limites que eu próprio coloquei;
Que eu preciso escolher entre controlar meus pensamentos
ou de ser controlada por eles.
Eu aprendi:
Que os heróis são pessoas que fazem o que acham
que devem fazer naquele momento,
independentemente do medo que sentem;
Que perdoar exige muita prática; condenar é mais fácil !
Que há muita gente que gosta de mim,
mas que não conseguem expressar isso.
Eu aprendi:
Que nos momentos mais difíceis, a ajuda veio
justamente daquela pessoa que eu achava
que iria tentar piorar a minha vida.
Que eu posso ficar furioso, tenho o direito de me irritar,
mas não tenho o direito de ser cruel;
Que jamais posso dizer a uma criança que seus sonhos
são impossíveis. Será uma tragédia para o mundo
se eu conseguir convencê-la disso.
Eu aprendi:
Que meu melhor amigo vai me machucar de vez em quando,
que eu tenho que me acostumar com isso;
Que não é bastante ser perdoado pelo outros,
eu preciso me perdoar primeiro;
Que, não importa o quanto meu coração esteja sofrendo,
o mundo não vai parar por causa disso.
Eu aprendi:
Que as circunstâncias de minha infância são responsáveis
pelo que eu sou, mas não pelas minhas escolhas
que eu fiz quando adulto
Que numa briga, eu preciso escolher de que lado estou,
mesmo quando não quero me envolver.
Que , quando duas pessoas discutem não significa que elas
se odeiem. E quando duas pessoas não discutem
não significa que elas se amem.
Eu aprendi:
Que por mais eu queira proteger meus filhos,
eles vão se machucar e eu também serei machucado,
isso faz parte da vida;
Que minha existência pode mudar para sempre
em poucas horas, por causa de gente que nunca vi antes;
Que diplomas na parede não me fazem
mais respeitável ou mais sábio.
Eu aprendi:
Que a palavra amor perde o sentido, quando usada sem critério;
Que certas pessoas vão embora de qualquer maneira;
quer você queira ou não;
Que é difícil traçar uma linha entre ser gentil,
não ferir pessoas, e saber lutar pelas coisas que acredita.
W. Shakespeare
Umas das caraterísticas mais frequentes e, quem sabe, trágicas do nosso tempo é o tédio, a tristeza-de-vida, a comum e rasteira chateação diante de tudo e de todos. Muitas pessoas parecem não estar mais contentes com nada. Irritadas e irritantes, vivem reclamando de tudo e se recolhem a um isolamento frustrante e sem perspectivas, ou se derramam em críticas ácidas e maledicências ferinas.
Nas clínicas psicanalíticas das grandes cidades, a grande doença a ser tratada, hoje, é a da anemia espiritual, a doença do espírito, que Viktor Frankl chama de "neurose noógena".
Estaria faltando às pessoas do nosso tempo uma razão para viver e uma paixão pela qual dar a vida.
Encaramujadas em seus devaneios e ambições, as pessoas parecem não ter mais um ideal que não seja o seu triste e pequenino eu. Porque não vivem de coração aberto, ninguém as fecunda, e porque, intemperantemente, querem tudo, acabam por possuir o que lhes parece sempre insuficiente. Em ambos os casos, sobra-lhes nas mãos uma tremenda frustração, um amargo dissabor.
As pessoas estão doentes do espírito. O corpo pode estar cheio de saúde, a inteligência pode ter sido bem treinada e a pessoa pode gozar de um invejável status social, mas só o coração é sábio. Este coração, no entanto, está chorando baixinho, porque se sente raquítico e sem asas para voar. Vê e distingue os valores, desejaria abraçá-los, mas seu espírito está sem forças, é anêmico. E a este estado de coisas que chamamos de anemia espiritual, cujo fruto mais sentido é a tristeza e o tédio de viver.
Quando os casamentos ou as pessoas não estão bem, os amigos, em geral, aconselham uma viagem, a mudar de ares. Na verdade, se o mal é profundo e atinge a pessoa em seu espírito, a viagem e o turismo não deveriam ser para longe, para uma outra paisagem, mas para dentro do próprio coração. Aí é que deveriam as pessoas trocar os ares rarefeitos. A anemia espiritual não se cura com fugazes passeios turísticos ou com uma mesa mais farta, e sim com justos posicionamentos diante do mundo dos valores. enviada por Maria Miranda
"A visão que o homem tem da mulher, e vice-versa, não corresponde à realidade as idealizações impedem as várias combinações entre sexo e afeto"
Desde pequeno, fico fascinado com a questão da diferença entre homem e mulher. Eu matutava para descobrir por que menino preferia subir em árvore e menina gostava de brincar de boneca. À medida que ia ficando adulto, passei a me intrigar com o fato de que os rapazes fossem mais arrojados que as moças e tivessem maior desembaraço nas questões do sexo. Eu percebia que, enquanto namorávamos sempre com segundas intenções, elas podiam passar meses numa trip de puro lirismo, curtindo amores quase platónicos. Depois, entrei em contato com as teses feministas, que muito me ajudaram a compreender essas diferenças: a opressão social da mulher, a educação diferente que recebe, a dependência financeira, a repressão do prazer, o culto do sacrifício, etc.
Ao longo de minha atividade como psicanalista, homens e mulheres dos mais variados tipos têm me contado em detalhe seus segredos mais íntimos, aquelas coisas que não ousariam revelar ao melhor amigo. Pude enxergar, então, seus verdadeiros rostos e não somente aquele todo maquilado com o qual somos obrigados a viver, a tal da máscara social.
E posso dizer que existem inúmeras diferenças entre eles. O homem que a mulher tem na cabeça, para preencher suas necessidades de amor, não corresponde ao homem que existe na realidade. E vice-versa. A ideia que ambos fazem do que seja amar e ser amado simplesmente não coincide. E tome desencontro. Desencontro sexual e afetivo.
Na mulher, sexo está poderosamente ligado ao afeto, por isso existe nela um forte apelo para o convívio: aquela entrega, gostosa e descontraída, sovem lentamente, com o tempo. No feminino, o verbo amar se conjuga mais no tempo, sendo a continuidade do afeto quase indispensável para gerar a magia da intimidade e da paixão. É isso que ela entende por amar e ser amada. Assim, qualquer desejo dirigido a ela, fora dessa proposta de convívio e de intimidade progressiva, ao invés de envaidecê-la, pode até significar um insulto. Em outras palavras, as mulheres resolvem sua fissura da entrega espiritualizando-a. Entregam a alma, mas não entregam, de verdade, o corpo.
É a partir desse estilo de amar que se forma seu conceito do que seja ser amada. Surge, então, a imagem do homem a partir da cabeça da mulher o homem construído à imagem e semelhança dos seus desejos femininos. O grave é que ela não percebe que ele existe muito mais no seu desejo do que na realidade. Por isso, sua tentativa de encontrar esse homem ideal nos parceiros resulta muitas vezes em decepções.
Como é esse homem formado na cabeça da mulher? Está longe de um potro fissurado, do homem com H, que supõe poder incendiar, com assobios obscenos, o coração de uma fêmea. Não é o bicho-homem, cheio de performances sexuais, o corpo musculoso, desejos óbvios e diretos, aquilo que a atrai. Pelo contrário. Seu homem ideal deve ser mais espiritualizado, aproximando-se lenta e suavemente, sem que isso signifique, é claro, indecisão ou covardia. Para ela, o menor caminho entre dois corpos não é a linha reta, é o caminho das águas, com todas as suas sinuosidades. O decisivo é a ausência de pressa, a curtição do amor de lenta combustão.
Como para o homem o sexo pode ou não se ligar ao afeto, a consequência decorrente disso é que o homem se apresenta rachado ao meio. Metade príncipe, metade bicho. E já que não estamos mais na época dos autênticos contos de fadas, não será um príncipe apenas espiritualizado; será um príncipe de carne e osso. Esse lado romântico do homem não encontrará problemas para compreender e amar uma mulher. Resta saber o que ele fará com o outro, aquele sempre disposto a viver amores gratuitos, paixões de meio de tarde ou fim de noite, que se extinguem mal começa um novo dia.
Se nele predominar o príncipe, não haverá grandes dificuldades. Afinal, a mulher que for tocada por seu beijo, naquele cenário romântico onde não há lugar para fissuras apressadas, pode tranquilamente deixar desabrochar aquela pura fêmea que ela sempre foi (embora esteja tão guardada, que ela nem suspeita da sua existência). Quando o príncipe e a princesa, macho e fêmea, se encontrarem nas alcovas de um castelo moderno, numa versão de um conto de fadas, poderão de verdade ser felizes para sempre ...
Infelizmente, nem sempre é assim que as coisas acontecem. O lado príncipe às vezes não predomina ou então o tempo necessário para despertar a fêmea adormecida é tão longo que o bicho-homem se enfurece, e não há nada que o contenha. Em outras palavras, a maioria dos homens resolve sua fissura de entrega, sexualizando-a. Entregam-se de corpo, mas não se entregam de alma. Ou, se se entregam de alma, o fazem por tempo limitado. Até que novamente amanheça e termine a noite. Por essas e outras, um casamento mais tardio, com parceiros mais vividos, ou um segundo casamento, costuma apresentar melhores possibilidades de encontro.
Toda essa confusão entre os sexos não pode deixar de resultar em muitos desencontros. O homem vive rachado ao meio, e a versão feminina de sua própria imagem refletida no espelho é dupla e contraditória. Na cabeça do homem, existem duas mulheres: uma é real e a outra é fantasiosa, mas ambas são abordadas em função dos seus próprios desejos.
Mas como será essa mulher sonhada pelo bicho-homem? Ela corresponde exatamente à sua versão feminina. Musculosa como uma amazona, com sexo à flor da pele, num estado permanente de pura animalidade. Obscena, seu desejo será direto, sem rodeios ou preâmbulos. Seu corpo se incendeia com fantasias de sexo explícito e será de combustão rápida e frequente, tudo se passando em tempo curto, sem qualquer preocupação pela continuidade e o convívio. Em síntese, uma mulher meio tarada, com o sexo na cabeça.
O importante é que o homem acredita na sua existência, enxerga todas as mulheres como se fossem ela, e age de acordo com essa crença. Se ela não se mostra completa-mente visível, isso só pode ser atribuído a um mero recato feminino. Basta retirar-lhe a máscara social, para que ela se manifeste por inteiro. Quantos desencontros já não foram causados devido a esse tipo de otimismo masculino?
Não quero dizer que essa mulher não exista. Claro que existe, só que está bem menos à flor da pele do que supõe a fissura do machão. E só desabrocha a partir de um convívio mais longo e mais poético.
Apesar da revolução dos costumes, ainda sobrevive essa tragédia amorosa, causadora de tantos desencontros. Mesmo hoje, homens e mulheres estão longe de se tornarem pessoas humanas livres e completas, com acesso a todas as combinações possíveis de sexo e afeto. Na mulher, o lado fêmea continua muito reprimido. No homem, é o lado mais delicado que é pouco desenvolvido. Por isso, o tempo masculino e o tempo feminino ainda não se encontraram. Resultado: lares desfeitos e muita infelicidade conjugal. Na verdade, na maioria dos relacionamentos não há entrega, se entendermos entrega como esse enorme prazer, que quem ama sente, de abrir mão de seu eu para viajar pelo eu do outro, na exata medida em que o outro eu se disponha a fazer o mesmo. Na verdade, a maioria das pessoas está presa às suas idealizações e não tem um autêntico conhecimento de si. E por cima de tudo ainda há o peso da máscara social. Mas posso assegurar: os tempos estão mudando. Já foi muito pior.
Trexo do livro "Emoções no Divã de Eduardo Mascarenhas" enviada por Maria Miranda
Introdução do livro "Jesus, o maior psicologo que já existiu." de Mark W. Baker.
Jesus entendia as pessoas. Sabemos disso porque talvez ele seja quem mais influenciou a história. Culturas foram formadas, guerras travadas e vidastransformadas em decorrência do seu ministério há dois mil anos. Como psicólogo, sempre fui fascinado pela pergunta: pôr
que os ensinamentos de Jesus tinham tanto poder? Depois de estudar muitos anos, descobri que se compreendêssemos psicologicamente os ensinamentos de Jesus poderíamos entender por que suas palavras exerceram um impacto tão profundo nos seus seguidores. As teorias psicológoicas atuais nos permitem perceber que o fato de Jesus compreender tão profundamente as pessoas fazia com que elas quisessem ouví-lo.
Há mais de vinte anos interesso-me pelo estudo tanto da teologia quanto da psicologia. Descobri que cada uma dessas disciplinas ajuda a aprofundar o entendimento da outra. Fico sempre admirado ao constatar os pontos de concordância entre os princípios espirituais e emocionais podem favorecer a saúde tanto emocional quanto física.
Freud, no entanto, considerava a religião uma muleta que as pessoas usam para lidar com seus sentimentos de desamparo. Esta postura deu início a uma guerra entre a psicologia e a religião que continua até hoje. Alguns psicólogos encaram a religião como um culto que limita o potencial humano, e pela mesma razão algumas pessoas religiosas olham a psicologia com preconceito. Descobri que a animosidade existente em ambos os lados deste conflito tem origem no medo. O medo dificulta o entendimento. É necessário que as pessoas parem durante algum tempo de se sentir ameaçadas para que consigam ouvir umas às outras e comecem a atingir um entendimento mútuo.
Há alguns anos um colega pediu-me que o substituísse em uma palestra que iria dar domingo numa igreja. Embora eu não soubesse nada a respeito dessa igreja, concordei em apresentar um dos meus textos sobre um tema psicológico que considero importante e que adaptei para uma audiência religiosa. Pouco depois de ter começado a palestra, um homem sentado na parte de trás da sala levantou a mão e disse: "Este seria um seminário interessante para uma terça-feira à noite na biblioteca ou algo parecido, mas certamente não é adequado à Casa de Deus no dia do Senhor!" Infelizmente esta não foi a primeira nem a última vez em que, ao fazer uma abordagem psicológica, despertei a hostilidade de pessoas religiosas.
Mas o contrário também sucede. Certa vez, depois de uma série de conversas com um grupo de psicanalistas sobre o cristianismo, expressei meu desapontamento em relação ao preconceito que o grupo demonstrava contra as pessoas religiosas. A explicação de um dos psicanalistas para tal comportamento foi: "Convivo com esses profissionais e acho que eles não conhecem nenhum terapeuta que seja ao mesmo tempo inteligente e cristão." Verifiquei naquele momento que o preconceito existe de parte a parte.
Felizmente, psicólogos contemporâneos estão reavaliando muitas das ideias de Freud, inclusive seu preconceito em relação à religião. Venho acompanhando esse processo com entusiasmo há vários anos. Os pontos de concordância entre as teorias contemporâneas e os ensinamentos de Jesus têm me impressionado.
Muitos livros já foram escritos sobre esses ensinamentos. Entretanto, eu gostaria de acrescentar algumas reflexões novas a respeito dessa antiga sabedoria. Os estudos que fiz sobre as teorias psicanalíticas contemporâneas possibilitaram-me interpretar as palavras de Jesus sob um novo prisma e enriqueceram a minha vida e a vida dos meus pacientes. Em vez de achar que essas lições entram em contradição com as novas descobertas psicológicas, eu considero que elas produzem novas e profundas percepções que eu não havia entendido antes.
Acredito que muitos desses princípios espirituais tragam benefícios em nossas tentativas de encontrar o equilíbrio psicológico. Procurarei dar exemplos de como esses princípios se aplicam hoje em dia às nossas vidas. Os exemplos que usei foram extraídos das experiências de pessoas com quem trabalhei, que conheci ou a respeito de quem li. Por motivos confidenciais, cada exemplo é na verdade uma composição de várias histórias e não representa ninguém em particular. Independentemente das nossas crenças religiosas ou psicológicas, todos podemos nos beneficiar dessa eterna sabedoria. enviada por Maria Miranda
A ejaculação precoce está ligada a emoções inconscientes certas repressões podem levar à ejaculação precoce adestrar o corpo dá trabalho e demora não é problema uma certa falta de controle sobre a ejaculação durante a juventude.
Se a dificuldade de alcançar o orgasmo é o maior problema sexual feminino, a ejaculação precoce é, de longe, o maior problema sexual masculino. Chamo de ejaculação precoce a falta de controle sobre a ejaculação, que faz com que o indivíduo ejacule antes do que deseja. Um homem maduro deve ser capaz de lograr ereção na maioria das vezes que se dispõe ao ato sexual e deve possuir um elevado grau de controle sobre a própria ejaculação. Mesmo que seja a primeira relação sexual do dia. Mesmo que não tenha feito sexo há vários dias.
A rigor, deve poder ejacular quase no exato momento em que o desejar. Pode alcançar a ejaculação em menos de um minuto depois de iniciado o ato sexual. E pode retarda-la indefinidamente (10, 20 e 40 minutos), bastando para tal utilizar discretos recursos de oscilação do ritmo da penetracão. A rigor, deve poder manter esse controle em qualquer posição do ato sexual, sem ter que, frequentemente, ficar imóvel no interior de sua companheira. E quando ficar imóvel, não fazê-lo por mais de alguns segundos, mesmo nos momentos do orgasmo feminino. E não deve ter que recorrer a qualquer truque, como, por exemplo, utilizar pomadas anestésicas ou desviar seu pensamento para fora do ato sexual.
Pode parecer cruel colocar as coisas assim, mas essa é a pura verdade. É claro que ninguém é máquina, e haverá dias em que as coisas não vão se processar assim, com tamanho grau de precisão, principalmente se a parceira é desconhecida ou se ambos não se conhecem bem sexualmente, entanto, com parceiras com as quais se tenha uma vida sexual regular, na imensa maioria das vezes o ato sexual se inicia e se encerra quase que no momento desejado, fique bem claro: estou me referindo a homens maduro digamos, de mais de 35 anos e com larga experiência sexual.
Um homem que não consiga prolongar o ato sexual até o momento desejado, utilizando apenas discretos recursos rítmicos, está padecendo de algum grau de ejaculação precoce. É óbvio que as coisas se tornam dramáticas se, despeito da vontade, mal iniciada a penetração haja ejaculacão. Mais dramáticas ainda elas se tornam quando, contrariando o desejo, a ejaculação ocorre antes mesmo da penetração. Nesses casos, estamos na área das ejaculações precoces mais preocupantes e desesperadoras.
As mulheres raramente têm capacidade de alcançar o orgasmo na hora que desejam. E a imensa maioria das mulheres que se realizam completamente costuma demorar de cinco a quinze minutos para alcançá-lo, e isso com um ritmo de penetração intenso. Portanto, se o homem está incluído em um desses casos de ejaculação precoce dramáticos, o desencontro sexual com a parceira será fatal.
Já conheci muitos casais que viveram anos de suplício conjugal por conta disso. E, com o passar do tempo, entre eles foi se instalando um tamanho rancor mútuo que ou o casamento se desfez ou, no mínimo, terminou a vida sexual.
Em homens jovens, um grau moderado de ejaculação precoce não deve ser considerado um problema sexual. Eu diria até que todos os homens tiveram, na adolescência, uma enorme dificuldade de controlar a ejaculação dificuldade que os acompanhou, em grau decrescente, até os 30 ou 35 anos. Felizmente, a natureza é sábia. Já que não dotou a juventude do poder de controlar a própria ejaculação, deu aos jovens a capacidade de, facilmente, ter duas, três ou quatro relações sexuais no mesmo dia. E a dificuldade de controle costuma ser maior na primeira relação. No fundo, fazer amor é como dançar bale ou tocar um instrumento musical. Para obter um elevado grau de precisão são necessários muitos e muitos anos de prática. O fino adestramento do corpo é sempre trabalhoso e demorado.
Todavia, mesmo em jovens, uma ejaculação excessivamente precoce e que ocorra regularmente já é indício de algum problema. Principalmente se ela ocorre antes de iniciado o ato sexual propriamente dito ou imediatamente após seu início. Quando isso acontece eventualmente, é apenas sinal do fogo da juventude. Nada mais do que sexualidade de potro.
Muitos homens que não conseguiram ainda adquirir maior precisão no controle de sua sexualidade tentam superar essa deficiência ou se masturbando antes do ato sexual ou tendo sucessivas relações. Se com esses recursos a ejaculação precoce persiste, mais complicado é o problema.
É claro que um homem que mantém relações sexuais de curta duração (menos de 10 minutos) está muito mais disposto a relações sexuais seguidas do que um outro que prefere as de prolongada duração (mais de 20 minutos). Ex: estará mais saciado e terá saciado mais plenamente sua companheira daí seu menor empenho em repetidos desempenhos.
O que agrava o sofrimento daquele que não adquiri controle sobre sua ejaculação é sua absoluta incapacidade de compreender por que isso se passa. Já não é mais um garotão, já teve bastante experiência e a ejaculação precoce persiste. Por mais que olhe para dentro de si e pense sobre suas emoções não consegue decifrar o enigma. Geralmente, não consegue sequer vislumbrar qualquer pista o que,| evidentemente, agrava seu desespero.
É que a ejaculação precoce é comandada mais por emoçoes inconscientes do que por emoções conscientes, pende muito de sentimentos e impulsos que costumam fica mais nas regiões escuras da mente do que nas iluminadas e , portanto, visíveis a olho nu. Afora a natural falta de experiência dos jovens, essas emoções e impulsos inconscientes são as causas profundas do problema.
Hoje, todos sabemos que a sexualidade não se inicia na adolescência. Inicia-se com a própria vida. Desde bebés já possuímos poderosos desejos sexuais. Buscamos o corpo da nossa mãe, mamamos no seu peito, não só para nos alimentarmos fisicamente, mas também para nos alimentarmos sexualmente. O contato com a pele de outro corpo e com suas carícias não é só quentinho e gostosinho; é excitante mesmo. Excita desejos e paixões e proporciona poderosos prazeres. Muito antes de aprendermos a falar, nossos desejos, emoções e fantasias já estão a mil. Tanto é assim que, caso esses primeiros relacionamentos físicos não faça nosso corpo e nossa cabeça, seremos sérios candidatos futuros problemas sexuais. Nossa pele e nossa emoção, ao invés de aveludada e encharcada de desejo, pode tornar-se áspera e eletrifícada, perdendo sua capacidade de sentir prazer e de inspirar desejo. Se os pais, seja por pruridos morais, seja por dificuldades emocionais e sexuais, deixam seus filhos famintos de contatos físicos e enamoramentos gratificantes, isso pode gerar uma dor e uma frustração tão grandes que, como recurso desesperado, a criança desiste de desejar. Claro, quem não sente mais fome, não sofre caso não seja alimentado. No entanto, reprimindo seus desejos, a criança se torna frígida e dessexualizada, pelo menos em certa extensão. Pode ficar superligada na escola, nos brinquedos, nos esportes, mas sexo e enamoramento nem pensar. Decididamente não é mais aquela criança gostosa e cheia de feitiço nos gestos e no olhar.
Contudo, essa frigidez e dessexualização são aparentes. No seu inconsciente, as energias e fantasias sexuais continuam a mil. Apenas estão contidas pela consciência. Quando chega a adolescência, com o incêndio provocado pêlos hormônios sexuais, podem ocorrer dois desfechos: ou a repressão e o gelo são mais fortes que o fogo e prevalece a frigidez e o desinteresse pelo sexo; ou a repressão e o gelo sofrem rachaduras e aí reaparece a sexualidade reprimida. E reaparece na sua forma primitiva e físsurada. É tão forte que se revela incontrolável, principalmente para uma mente desacostumada a transar com ela. Resultado: quando o adolescente chega na cama, com toda a tentação que representa a mulher, fica tão excitado que ejacula precocemente.
Se tudo correr bem, anos se passarão até baixar a fissura e o desejo alcançar níveis menos incontroláveis. E a mente, agora, mais familiarizada com ele, será mais capaz de controlá-lo. Todavia, a mente humana é mais complicada do que isso. No processo de degelo da frigidez, de rachaduras na repressão provocadas pela pressão dos hormônios sexuais, uma parte da sexualidade reprimida e congelada passa, mas a outra permanece como estava.
É que a sexualidade da criança é puro instinto, é bicho no cio. Não conhece barreiras morais ou higiénicas. Prevalece nela o mais absoluto vale-tudo. Ora, para uma ótica adulta, é o mesmo que dizer que a sexualidade da criança está marcada pelas mais extravagantes taras e perversões. Liga-se a pessoas de todos os tipos, idades (inclusive crianças) e está pouco se lixando se é ou não do mesmo sexo. Para ela, não faz a mínima diferença se está transando com homem ou com mulher. Pode até transar com bichos e excrementos com a maior naturalidade. Se não lhe causar medo, pode transar até com cadáveres, bonecas e toda sorte_ de objetos.
Assim, não se trata agora apenas de reprimir a fome sexual para não sofrer. Muita água já rolou na vida daquela criança até ela ter se tornado adolescente. Muitos valores morais foram sendo assimilados pela sua cabeça. Muitas coisas que, digamos, aos três anos de idade ela acharia plenamente natural, hoje, digamos, aos 16, a horrorizaria e a repugnaria. Mais ainda. Não vamos nos esquecer de que, tendo vivido toda sua infância dessexualizada, ela não possuía aquela audácia e atrevimento próprios do desejo sexual. Assim, sua cabeça era dócil para assimilar os valores sexuais mais conservadores.
Se os valores sexuais assimilados se revelarem mais fortes do que os impulsos sexuais primitivos, esses permanecerão para sempre reprimidos. Os impulsos sexuais que foram aceitos pela consciência, com o tempo, perdem a fissura e desaparece a ejaculação precoce. No entanto, ao preço de uma sexualidade relativamente empobrecida no atrevimento e ousadia de suas fantasias.
Se os valores sexuais assimilados se revelarem mais fracos do que os impulsos sexuais primitivos, estes, aos poucos, vão chegando à consciência, vão sendo ajustados às regras do sexo civilizado e vão perdendo sua fissura. Resultado: com o tempo, desaparece a ejaculação precoce, numa sexualidade que não perdeu a riqueza de suas fantasias. A adolescência aqui, na medida que ressexualizou a mente e resgatou seu natural atrevimento, subvertendo aos poucos seus valores caretas, garantiu a saúde sexual. Contudo, existe uma terceira possibilidade, capaz de perpetuar indefinidamente a ejaculação precoce, que se torna então doentia.
Suponhamos que surja um equilíbrio entre as fantasias sexuais primitivas e os valores sexuais assimilados. Aqui ocorre um impasse sinistro. Nem os desejos primitivos ficam tão congelados e distantes da consciência a ponto de não a perturbarem, nem ficam tão descongelados e acolhidos pela consciência a ponto de participarem ativamente dos atos sexuais, a ponto de irem sendo progressivamente assimilados pelo sexo civilizado, enriquecendo-o inclusive.
Assim, estão suficientemente ativos e despertos, a ponto de se excitarem com os atos sexuais, mas não estão suficientemente ativos e despertos para participarem dele, com plena consciência da pessoa. Ficam operando numa penumbra da mente. Suas fantasias excitam o homem, mas ele não sabe nem que fantasias são. Não pode sequer realizá-las e buscar no parceiro correspondência para elas. Afora a excitação que recebe de sua sexualidade assimilada, recebe excitação de uma sexualidade estranha a ele e que não lhe mostra sequer o rosto. Não podendo realizá-la minimamente, ela permaneceu frustrada e fissurada, impossibilitando-o de adquirir controle de seu próprio sexo.
Uma das principais causas da ejaculação precoce que não decresce com a passagem dos anos é essa: uma sexualidade desconhecida pela pessoa. Enquanto não desvendá-la e assimilá-la, prosseguirá sofrendo do descontrole do orgasmo. Essa história de que a ejaculação precoce é o medo de permanecer dentro da vagina da mulher é quase sempre papo-furado. Quem tem realmente medo desinteressa-se pelo sexo ou não alcança a ereção.
É claro que, se não fosse uma dose de repressão, nós nos tornaríamos bestiais, animalescos e pervertidos. Mas existem repressões e repressões. Existem, por exemplo, repressões extremamente precisas, flexíveis e inspiradas. Na medida em que nossa experiência avança e vamos saciando e domando desejos infanto-juvenis fissurados, esse tipo repressão vai permitindo que novas facetas da sexualidade cheguem à consciência. E numa cadência tal que possibilita uma assimilação criativa e civilizada da mesma. Uma a uma, as fantasias sexuais infantis vão chegando à nossa cabeça, renovando, enriquecendo e colorindo nossa sexualidade. Não vêm tão fortes a ponto de nos tornar animalescos e pervertidos, nem a ponto de ficarmos expostos a novos surtos de ejaculação precoce. Também não vêm tão fracas, nem tão lentamente a ponto de nossa sexualidade começar a perder seu brilho e sua força, tornando-se monótona, fraca e empobrecida.
Esse é o processo de renovação e rejuvenescimento permanente de nossa sexualidade. Se funcionarmos assim, teremos uma vida sexual rica e sadia para o resto de nossa existência.
Contudo, existem outros tipos de repressão. Se ela for rígida demais, impermeável demais, não se dá aquela cadenciada desrepressão a que me referi. O resultado não será a ejaculação precoce nem a perversão. Mas será uma sexualidade pobre e que vai perdendo sua força à medida que os anos passam. Leva a uma impotência, mal se chega aos 50 ou 60 anos. Se a desrepressão for sem cadência, ficaremos expostos afissuras sexuais maiores do que somos capazes de assimilar. Resultado: de tempos em tempos, somos vítimas de tentações extravagantes e excessivamente pervertidas e de tempos em tempos voltamos a ter ejaculação precoce. Esse é o mecanismo de determinadas ejaculações precoces que aparecem, depois desaparecem, para reaparecerem mais adiante.
Voltando à sexualidade desconhecida que é causa da ejaculação precoce permanente, podemos comparar essa sexualidade com fantasmas que se agitam nas trevas da nossa mente. Esses fantasmas estão nas cercanias de nossa consciência, separados por uma porta. Podem ser fantasmas assustados, paranóicos, ou fantasmas cheios de ira e de vingança nos seus corações.
Um neném, por conta da pouca inspiração de sua mãe, ou por conta de sua excessiva fissura e dificuldade de saciar suas ânsias, pode ter ficado muito ressentido com a figura feminina. Enquanto estava sendo aleitado no peito de sua mãe e colocava na boca o mamilo que lhe dava leite, esse mamilo se afastava dele antes da hora, antes de o haver saciado suficientemente. Agora, a situação está invertida e ele se vinga da mulher, fazendo com ela algo equivalente ao que ela fazia com ele: tira-lhe o doce da boca, depois de deixá-la salivando de desejo. Em outras palavras, dá-lhe o pênis, mas ejacula e se retira antes de havê-la saciado. Há aqui uma equivalência entre boca-vagina, mamilo-pênis. E esse pode ser o fantasma que mora ao lado.
Pode ser, porém, um outro fantasma, cuja cabeça opera com essas mesmas equivalências. Quando mamava no peito e este não o saciava, ficava furioso, imaginando toda sorte de maldade, o que para sua cabeça de neném é o mesmo que realizar toda sorte de maldade. Agora, na relação sexual com a mulher, morre de medo. Teme que ela faça com seu pênis o mesmo que ele fazia com seu mamilo em épocas primitivas. Que ela, com sua vagina, o ataque com a mesma fúria que ele, com sua boca, atacava seu mamilo.
Se essa fantasia se esse fantasma que mora ao lado for poderosa demais, não haverá ejaculação precoce, haverá, isto sim, impotência sexual e desinteresse pela mulher. Contudo, se não for forte bastante a ponto de paralisar a sexualidade consciente, tentará fazer tudo para terminar o mais rapidamente possível o ato sexual e livrar-se do perigo jque este representa. A ejaculação é então, nada mais nada menos, que o resultado do desejo de sair o mais depressa possível daquela caverna cheia de intenções hostis.
Quando jovens, o ideal de "conhecer-se a si mesmo" parece coisa muito fácil, pois, enfim, a nossa personalidade se concentra, preferentemente, em nossos músculos e nos princípios indiscutíveis de nossa vontade. Mas, a medida que vamos crescendo, vamos tomando consciência de que somos um mundo, em grande parte, estranho a nós mesmos. E aí as perguntas não param de chover: Por que somos assim como somos? Por que reagimos, destemperadamente, diante de assuntos insignificantes ? E comportamo-nos, meio passivamente, diante de problemas bem mais sérios? Por que sofremos tanto tendo tão poucos motivos para sofrer e por que outros, com mais motivos, sofrem tão menos? Por que alguém se contenta com pouco e é feliz com quase nada, enquanto um outro, por mais; que tenha, nunca se sente satisfeito? E as perguntas se multiplicam enquanto que as respostas sempre mais se encolhem.
Na fachada do templo grego, em Delfos, estava estampado um principio filosófico e vital para os homens de todos os tempos: "Conhece-te a ti mesmo!" Dito assim, pode até parecer uma platitude, algo sem grande importância, mas, na verdade, o ideal do autoconhecimento encerra a mais árdua aventura do nosso destino: chegar ao fundo mais fundo de nós mesmos e saber, enfim, quem nós somos. Que coisa estranha: vivemos procurando saber quem vive em nós e quando o descobrimos estamos, certamente, para morrer. Mas, então, nos garante a sabedoria de todos os tempos, a vida, a nossa vida, não terá sido em vão, pois morreremos como morre um grande homem ou uma pessoa realizada.
Buscar-se a si mesmo, conhecer-se: eis o ideal e a tarefa que temos. Por um lado, os mestres da vida garantem que isto é fundamental, por outro, eles mesmos afirmam que, para felicidade nossa, nunca chegaremos ao âmago do nosso mistério.
Seremos
para nos mesmos,
sempre uma paisagem desconhecida.
Nossa riqueza
sempre será maior do que
o conhecimento
que temos dela e viveremos sempre
surpresos com as cabriolas
do nosso mundo interior.
E isto é bom, nos garantem eles, pois podemos sempre fazer a longa penosa viagem para dentro de nós mesmos com renovado encantamento sem nunca nos chatearmos de um espetáculo já previamente conhecido.
Não é raro encontrar pessoas que confessam: "Parece que não me conheço. Vivo longe de mim mesmo. Não sei quem sou!"
No fundo, a pessoa se encontra perdida, tateando mil possibilidades: sem a coragem de definir-se por nenhuma. Seus sentimentos, por isso, estão bastante desencontrados, transformando-se a pessoa em campo de batalha de forças, não complementares, mas antitéticas. A pessoa vive tanto ao sabor dos acontecimentos externos, das solicitações que lhe chegam de fora, que dificilmente encontra capacidade de avaliar e optar por seu mundo mais próprio, por uma definição mais efetiva e identificante outras palavras, a pessoa se encontra à deriva, já não mais se pertence tendo perdido o controle sobre si mesma.
Quando isto acontece, é preciso parar e pedir ajuda, não necessariamente a um psicólogo, mas a um mestre da arte de viver. Esta nave, a nossa nave ,precisa momentaneamente da perícia de um outro capitão. Sozinho esforço próprio, é muito difícil e demorado reencontrar o leito correto para o próprio rio.
Sem ajuda, facilmente se cai no desanimo, alimentado por uma sensação de isolamento .Esta viagem para o fundo de nós mesmos é essencial para um condizente equilíbrio pessoal. Poderíamos perguntar-nos: Como pode alguém relacionar-se bem com os outros se não se relaciona bem consigo mesmo? Como pode alguém amar bem a um outro se não ama bem nem a si mesmo? Como sentir-se feliz com outros se não se está feliz consigo mesmo? Ou ainda, se alguém foge de si mesmo e tem medo de se enfrentar, como poderá este alguém encontrar-se com os outros, sem temê-los, entrando com eles num diálogo personalizado e de profundidade?
Embora o "conhecer-se a si mesmo" seja um altíssimo valor, só o conhecer-se não basta. Saber dos próprios limites e riquezas, conhecer as reservas de energias e os sonhos que alimentamos, ter clareza quanto aos princípios morais a serem seguidos, tudo isto, se bem que importante, é apenas parte de um ideal de ser. O conhecimento de si mesmo é apenas a base, a plataforma segura para o lançamento do nosso ser na órbita da vida. O nosso espírito tem mãos, nosso coração tem asas e a nossa vida tem corpo. Não podemos ficar satisfeitos por apenas conhecer-nos profundamente. A cabeça deve descer para o coração e ambos passar-se para as mãos. Se não, de tanto analisar-nos, medir-nos e conhecer-nos, podemos acabar morrendo com a trena na mão.
Sem ajuda, facilmente se cai no desanimo, alimentado por uma sensação de isolamento .Esta viagem para o fundo de nós mesmos é essencial para um condizente equilíbrio pessoal. Poderíamos perguntar-nos: Como pode alguém relacionar-se bem com os outros se não se relaciona bem consigo mesmo? Como pode alguém amar bem a um outro se não ama bem nem a si mesmo? Como sentir-se feliz com outros se não se está feliz consigo mesmo? Ou ainda, se alguém foge de si mesmo e tem medo de se enfrentar, como poderá este alguém encontrar-se com os outros, sem temê-los, entrando com eles num diálogo personalizado e de profundidade?
Embora o "conhecer-se a si mesmo" seja um altíssimo valor, só o conhecer-se não basta. Saber dos próprios limites e riquezas, conhecer as reservas de energias e os sonhos que alimentamos, ter clareza quanto aos princípios morais a serem seguidos, tudo isto, se bem que importante, é apenas parte de um ideal de ser. O conhecimento de si mesmo é apenas a base, a plataforma segura para o lançamento do nosso ser na órbita da vida. O nosso espírito tem mãos, nosso coração tem asas e a nossa vida tem corpo. Não podemos ficar satisfeitos por apenas conhecer-nos profundamente. A cabeça deve descer para o coração e ambos passar-se para as mãos. Se não, de tanto analisar-nos, medir-nos e conhecer-nos, podemos acabar morrendo com a trena na mão.
Faz -se importante
e necessário o passo
terapêutico do enfrentamento
do medo de abandonar-se,
do risco de amar e da
ousadia de ser e viver para fora,
de ter,
em suma, um coração aberto.
Só assim, sabendo-se o que se é e tentando o que se deve, teremos chance de viver o que realmente somos. Caso contrário, corremos o risco de viver uma verdade parcial ou até uma mentira, mesmo buscando honestamente um altíssimo ideal , estampado na imortalidade de um templo grego.
Texto retirado do livro " Ajuda-te pela Psiquiatria" de Frank S. Caprio.
O Que é Uma Neurose?
A palavra "neurótico", da maneira como costuma ser usada hoje, tem sentido impróprio. Poucos conhecem o significativo deste termo, que usam com tanta frequência.
Recentemente, uma senhora amiga me perguntou:
Então, quem é o neurótico?
Informei-a que todos nós somos um pouco neuróticos. Alguns são normalmente neuróticos ou para usar uma frase melhor, "não por demais neuróticos". Outros são neuróticos no sentido de serem incapacitados pela sua própria neurose. Neurose significa uma reação exagerada da mente e do sistema nervoso aos distúrbios físicos ou a experiências desagradáveis.
A falta de entendimento a respeito da psicologia da doença neurótica faz que as pessoas se tornem pouco compreensivas, intolerantes e neuróticas.
A neurose, em outras palavras, é uma doença causada por motivos inconscientes, geralmente vantajosos ao neurótico. Os sintomas tentam explicar (o que os psiquiatras chamam de "linguagem física") e encontrar a finalidade que um determinado sintoma visa.
Tipos Comuns de Neurose
Existem várias espécies de neuroses (a palavra "psiconeurose", que ouvimos tanto hoje, significa o mesmo que "neurose"). Os tipos mais comuns de neurose são os seguintes:
1. Neurastenia. A fadiga é o sintoma predominante, embora o neurastenia) possa também se queixar de dores e pontadas vagas.
2. Histeria. A instabilidade emocional é um dos sintomas mais característicos. Os conflitos mentais se expressam através de sintomas que afetam várias partes do corpo. Por exemplo, a mulher que é infeliz na vida conjugal pode queixar-se ao marido de dores nas costas. Os psiquiatras usam o termo "sintomas de conversão" porque realmente descrevem o que acontece: a infelicidade ou o conflito mental é convertido em um sintoma físico real.
3. Hipocondria. Vocês por diversas vezes já ouviram alguém referir-se a uma pessoa como "hipocondríaca". Isto quer dizer que tal pessoa tem sempre uma doença, geralmente imaginária. Ela se preocupa excessivamente com a sua saúde e gosta de conversar a respeito de seus inúmeros distúrbios físicos. Uma vez perguntei a uma senhora o que sentia. Quando ela terminou sua ladainha, eu tinha uma lista de 57 sintomas diferentes. Essas pessoas se tornam "pacientes profissionais" e vão de médico em médico em busca de alívio.
4. Ansiedade. A preocupação e o medo podem causar numerosos distúrbios em muitos indivíduos. Uma neurose deste tipo produz um estado de tensão crónico. Deste grupo fazem parte as pessoas que são vítimas de ansiedade e medos de toda sorte. (Medo de elevadores, multidão, micróbios, sexo, loucura, morte e muitos outros fatores). Este sentimento de insegurança as torna sempre irrequietas. Nunca descansam. Permanecem num estado constante de exaustão nervosa.
Qualquer que seja a espécie de neurose, a psicologia do seu desenvolvimento é praticamente a mesma. Os neuróticos, que pensam em medo, são vítimas de motivações inconscientes. Em qualquer circunstância as neuroses são curáveis.
Personalidade do Neurótico
Os neuróticos são os preocupados crónicos. São indivíduos excessivamente sensíveis, superagressivos, extremamente acanhados ou facilmente depressivos, que se entregam a pensamento negativo e que são inclinados a ficar tensos e nervosos independentemente de qualquer provação. Não reagem bem às frustrações pessoais.
Preferem ser sonhadores a realizadores. Ë como Claude Bristol, os definiu: "eles possuem a espinha do desejo mas não possuem a espinha dorsal". Contudo, se lhes penetrarmos no íntimo da personalidade verificaremos que basicamente são bons indivíduos. O neurótico que se centraliza em si próprio e é excessivamente acanhado tem que ser transformado em pessoa que não se preocupe tanto consigo próprio. Nada é tão prejudicial ao seu restabelecimento quanto humilhá-lo, tomando-o responsável pela sua doença. Numerosos parentes cometem o engano de classificar o neurótico na mesma categoria do dissimulador doente fingido.
Os Neuróticos Não São Sempre Casos Perdidos
Com um conhecimento íntimo e uma cooperação apropriada, o neurótico não precisa viver amarrado. Uma vez que compreenda a psicologia da sua personalidade neurótica ele pode converter sua neurose em bênção disfarçada. Você não precisa ser alegre e nem triste porque é neurótico.
Muitas figuras famosas da História, que se sobressaíram como cientistas, músicos, artistas e escritores de destaque, eram neuróticos; neuróticos no sentido de serem temperamentais e sensíveis, perdendo ocasionalmente o controle das emoções.
Todos nós temos amigos neuróticos. Muitos deles são talentosos e capazes de contribuições valiosas para a vida. Para viver-se bem com eles é preciso tentar compreendê-los.
Os Neuróticos Em Geral São Bem-Intencionados
A hostilidade de muitos neuróticos para com os outros é superficial. Se choram facilmente e se se queixam com frequência é somente porque desejam atrair a atenção e sentir-se seguros e aceitos. Possuem coração de criança e são sequiosos por afeto e compreensão.
Roberta, mãe de uma criança de 2 anos, assistiu em um dos cinemas locais a um filme emocionante e ficou tomada de pânico, pensando que também iria ficar louca. Ela se havia identificado com o personagem do filme.
Os temores de que alguma coisa aconteça ao estado da mente são comuns. Os psiquiatras se referem a eles como neurose de compulsão obsessiva. Quando Roberta se queixava repetidamente do medo de perder o juízo, o seu marido Tom tornou-se intolerante., ridicularizando-a e até ameaçando de deixá-la, caso ela não largasse dessa mania. Tom, como a maioria dos maridos em situação semelhante, dizia: "Não posso compreender minha mulher. Ela não é mais a mesma pessoa. Só pensa no medo de ficar louca. Fico às vezes tão aborrecido que penso em deixá-la. Não posso suportar isto por muito tempo. Admito que ultimamente me tenho zangado, pensando que ela precisava é de uma boa e enérgica conversa, mas de nada adiantou. Estou com a paciência esgotada. Não sei o que fazer".
Sua atitude é típica de um marido ou de qualquer outro parente para com uma pessoa que sofre de medo, indecisão, depressão ou que se queixa de perturbações físicas. Tom precisava ser reeducado. Foi instruído a não mimar e nem ralhar ou censurar a esposa. Teve que cultivar uma atitude igual à que uma enfermeira ou um médico toma com relação a um paciente que está sofrendo de uma doença física.
Na verdade, Roberta era uma esposa devotada, uma boa mãe que se havia tornado amedrontada e como resultado adquiriu uma doença neurótica chamada "neurose de compulsão obsessiva". Começou a sentir pena de si mesma e vivia repetindo: "Eu não culpo meu marido. Eu sei que o estou tornando muito, infeliz. Não quero ser assim, mas não consigo melhorar a situação. Não tenho confiança em mim. Sempre penso que alguma coisa me vai acontecer."
Como já disse, um sentimento de insegurança é comum na maioria dos neuróticos. Querem ser assegurados de que nada de desastroso lhes acontecerá. Mas, não é sempre que apenas a segurança elimina este medo, porque eles a interpretam como uma falsa segurança. Às vezes somente um psiquiatra é capaz de explicar os motivos inconscientes que residem atrás dos seus medos devastadores.
Como Cuidar de Uma Pessoa Neurótica
Para lidar-se com um neurótico, tanto em casa como no trabalho, é preciso ter-se em mente um princípio fundamental. É necessário sentir-se convencido de que os neuróticos não devem ser desprezados. A intolerância, é fatal para a cura de um neurótico. Se Você penetrar na personalidade externa de um neurótico comum, descobrirá que no íntimo ele é sincero e de bom coração. Faça uso da aproximação positiva. Chame sua atenção para as potencialidades que ele possui. Os resultados são surpreendentes. Muitos parentes fazem uso da aproximação negativa, fazendo-os lembrar de suas insuficiências.
Seja Firme, Porém Bondoso
De outro lado, uma conversa animadora, protocolar e lisonjeira somente piora as coisas. A firmeza e a compreensão bondosa são os métodos-chaves para um auxílio bem sucedido àqueles cujo pensamento integral está voltado para o seu próprio íntimo. Faça-os tomar interesse na prática de coisas que lhes tragam satisfação. Os neuróticos desejam que as pessoas demonstrem interesse e que gostem deles, sejam quais forem suas deficiências. Têm necessidade de amigos que possam ajudá-los a viver mais satisfatoriamente. Lembre-se de que uma pessoa neurótica não deve ser mais culpada pela sua condição do que aquela que contraiu um mal físico.
A Intolerância Agrava a Situação
Muitas vezes os psiquiatras são bem sucedidos quando outros falham, somente porque agem como um substituto paterno. Escutam, explicam, aconselham e tomam-se administradores pessoais do paciente. Esta benéfica afinidade emocional entre pacientes e médico é chamada "transferência". Muitas vezes o paciente melhora porque o psiquiatra lhe faz sentir que ele realmente é uma boa pessoa, apesar de qualquer outra coisa que os outros o levaram a acreditar. Não gostar de pessoas doentes é falta de inteligência.
. Ocasionalmente se escuta alguém dizer: "Quando certo indivíduo é antipático e não inspira amizade eu me preocupo em tornar-me seu amigo. Logo descubro que ele é muito melhor do que muita gente pensa."
Como já afirmei anteriormente, os neuróticos se comportam desta ou daquela maneira somente porque são impelidos por motivos inconscientes. Na verdade, neste mundo não existem pessoas que no fundo do coração sejam mesquinhas. O comportamento anormal, seja neurótico, criminoso, ou psicótico, é o resultado de uma doença da mente, de uma forma ou de outra. O Dr. Ben Karpman, conhecido psicanalista, famoso pêlos seus estudos criminais, encontrou uma bondade básica em muitos daqueles que desrespeitam a lei e descobriu também que seus crimes representavam um sintoma de infelicidade interior que remonta à infância.
A Lei da Supercompensação
De acordo com o Dr. William James, eminente professor de Filosofia de Harvard, a maioria de nós (muito especialmente os neuróticos) não aproveita o máximo daquilo que já possui. O Dr. James nos diz assim:
"Comparando-se com o que deveríamos ser, nós estamos apenas metade acordados. Fazemos uso apenas de uma pequena parte dos nossos recursos físicos e mentais. Afirmando a coisa amplamente, concluímos que o indivíduo humano vive longe dos seus limites anteriores, possuindo várias espécies de poderes, os quais ele costumeiramente, deixa de usar"
Ser neurótico pode ser um predicado muitas vezes dá um impulso que permite um aproveitamento maior da vida do comumente se obteria se Você não tivesse sido tão inibido.
Quando se remove um rim o outro trabalha por dois. Esta é lei da supercompensação que vem em nosso auxílio toda; vezes que o Destino desafia a nossa vontade para sobreviver.
Sentir Pena de Si Mesmo Apenas o Tornará Mais Neurótico
Existe pouca tolerância para com a pessoa neurótica que se firma na piedade por si mesma e recusa fazer qualquer coisa com relação às suas responsabilidades.
Em uma carta uma jovem de 31 anos escreveu:
"Quando eu tinha quatro anos apanhei escarlatina. Fiquei estrábica e fui obrigada a usar óculos. Se algum rapaz me convidava para sair, na metade das vezes eu recusava e, se aceitava, desmanchava o compromisso no último momento. Era muito sensível e cultivava um complexo de inferioridade. Costumava sentir pena de mim mesma."
A Moça Que se Recusava a Crescer
Certa ocasião, ia dirigindo o meu carro, a fim de ver uma cliente que, segundo afirmação da família, se encontrava em condições por demais precárias para ir até ao meu consultório, no caminho dei condução a um jovem soldado que ia a um hospital local do Exército. Notei que seu braço direito havia sido amputado.
Era um rapaz alegre, conversador e pronto para dar uma galhada. Evitei qualquer menção a respeito da manga vazia do paletó, quando finalmente ele disse:
Estou surpreso de o senhor não me ter perguntado onde perdi meu braço. A maioria das pessoas quer saber onde lutei, como foi que o perdi, enfim todos os detalhes.
Este assunto não é muito doloroso para Você? quis saber:
Bem... era. Mas agora posso enfrentá-lo. Sei o que esperar. das pessoas, portanto não fujo do assunto. Decidi, a qualquer custo, desmantelar a piedade neurótica que sentia por mim mesmo. Sabia que se não fizesse a minha mente se comportar, estaria perdido.
Fez uma pausa e olhou para fora na escuridão.
Às vezes, interrompeu ele abruptamente, com a voz mais forte, à noite, a minha mente costumava rebelar-se e eu suava frio. Agora eu consegui colocar a piedade por mim mesmo bem no lugar onde queria. Decidi gozar a vida. Afinal de contas, eu posso ver... eu posso ouvir... eu posso andar... e trabalhar.
Quando o deixei ele parou ao lado do portão do hospital, acenou o seu único braço e disse:
Obrigado pela carona, doutor.
Foi justamente ao contrário, pensei... eu é que recebi a carona.
A paciente que precisava ver naquele dia era uma jovem que estava tendo ataques histéricos porque seus pais se recusaram comprar-lhe um novo conversível. De volta para casa, não pude deixar de comparar o jovem soldado, que não se deixou sentir inutilizado com a moça, que se recusava a ser adulta.
Nunca é Tarde Demais Para o Amor
Outro dia recebi uma carta de um viúvo de 72 anos de idade. Havia lido um artigo meu e queria saber se ele estava sendo neurótico por querer se casar com uma viúva de 65 anos de idade, com quem se entendia muito bem. Agradou-me ter a oportunidade de cumprimentá-lo pela sua atitude de que "nunca se é velho demais para o amor" e de desejar um casamento feliz.
Quem Faz Sua Vida é Você Mesmo
Se por uma ou outra razão a sua vida é sem amor, Você pode compensá-la encontrando um prazer substitutivo no seu trabalho, no seu "hobby" ou em um projeto cívico. O prazer de ter realizado alguma coisa pode trazer-lhe paz de espírito. Neste mundo existem bastante coisas boas para tornar a vida agradável. A vida pode ser linda. enviada por Maria Miranda
DE CORAÇÃO ABERTO, viver e amar a vida... com a espontaneidade pura e apaixonada de uma criança que, ao brincar, se transfigura e se confunde com o brinquedo, totalmente esquecida de si mesma.
DE CORAÇÃO ABERTO, viver e amar a vida... com a concentração pra-valer duma cartada decisiva. A vida não admite o jogo duvidoso do "talvez", do "mais-ou-menos", das "suaves-prestações", ou das "anestesias-parciais". A vida, por ter um preço definitivo, requer investimentos sem retorno e absolutos.
DE CORAÇÃO ABERTO, viver e amar a vida... que tem a interioridade profunda e a dimensão misteriosa de um rio sagrado. Somente a conquistamos quando, de coração aberto, nos deixamos por ela cativar. Não somos nós os criadores da vida; é ela quem nos gera, abraça e alimenta, respira e expira, quem entra e sai de nós como num excitante jogo infantil de pega-ladrão.
DE CORAÇÃO ABERTO, viver e amar a vida... que vai desde o seu rico florescimento até a uma mera e conflitual sobrevivência. A pessoa pode amá-la com paixão ou apenas suportá-la penosamente. Pode, alienada e medrosamente, sentar-se à sua margem, deplorando-a ou condenando-a, ou enamoradamente mergulhar em seu fluxo e refluxo, sem nunca dela se fartar. Pode fazer dela uma graça e bendizê-la, ou transformá-la num fardo indesejado ou numa cruz maldita, na qual morrerá irreconciliada.
DE CORAÇÃO ABERTO, viver e amar a vida... com as mãos rudes e calosas de um camponês e a sensibilidade refinada de um artista. A vida precisa, às vezes, da sem-cerimônia limpa das pessoas do campo, que vivem seus dramas sem dramatizá-los, esconjurando-os com o cabo da enxada, sem regá-los com as lágrimas duma auto-comiseração forçada.
Outras vezes, a vida precisa de mais trato, paciência e capricho, para que seu coração não seja, indevidamente, machucado.
O preço da vida é, para cada um, a própria vida: toda inteira, sem regateios. Quando para comprá-la nós nos perdemos, é então que a encontramos; quando por amá-la para ela morremos, é então que de fato vivemos. Como consequência, amamos e somos amados, damos e recebemos, construímos a felicidade para os outros e sentimo-nos loucamente felizes.
Quando diante dela nos apresentamos de coração aberto, a vida nos faz simultaneamente, destinatários e remetentes de seus bens, réus e reis. Beneficiários e mártires, nos traz e nos leva, nos dá e nos cobra, nos prende e nos solta, nos sujeita e nos liberta, e, principalmente, faz de nós seja o seu espaço de festa e alegria, seja o seu canteiro de dor e morte. Tudo isto, no entanto, deve ser vivido com as pulsações inteiras... de um coração aberto. enviada por Maria Miranda
As causas da timidez são várias. É que a timidez é como a febre. Pode aparecer pelas mais variadas razões.
É claro que a história de nossos amores e desamores, a biografia de nossos encontros e desencontros são fatores da maior importância para o aparecimento da timidez.
Se fomos muito rejeitados, muito mal-amados, é natural que se estruture um sentimento de desvalorização. É como se nossa ternura fosse frouxa para enternecer; nosso brilho, chocho para deslumbrar; nossa iniciativa, débil para transformar; nossa bondade, impotente para emocionar; nossa força, fraca para realizar. E depois de tanto fracasso, pressentimos a cada nova experiência a repetição de novos fracassos. Em uma palavra: perdemos a fé em nós mesmos e a confiança nos outros.
Se formos muito paparicados, também corremos o risco de ficarmos tímidos. É que nos habituamos à vida mansa que certamente o mundo não vai nos dar. Fico impressionado com tantos pais que criam sua filha numa redoma, achando que com isso lhe garantirão um bom casamento. Esquecem-se de que casamento não é uma relação com um bibelô de cristaleira...
Excesso de frustração ou gratificação, portanto, são causas da timidez. Daí a importância dos pais e da vida que se leva.
Aliás, o que a criança precisa não é bem de carinho e de amor. Reduzir uma criança a um bichinho que necessita de atitudes açucaradas é o maior insulto que se faz a ela. Criança não é gatinho nem bichano. Criança é gente e como tal deve ser tratada. Claro, é gente pequenina, mas nem por isso deixa de ser gente. O que criança precisa é de ser sacada, compreendida e correspondida. Mas não correspondida de uma maneira mimada como se fosse um ser do outro mundo tipo coisinha tão bonitinha do papai. Não confundir doçura com afeições açucaradas. Deve ser respeitada, mas deve ser obrigada a respeitar. Tudo, evidentemente, dentro de suas possibilidades máximas de cada momento. Criança não precisa de'' amor'' e de " carinho''. Precisa é de relacionamento doce, enérgico e inspirado. Esse é o verdadeiro amor e o verdadeiro carinho. Às vezes são cruéis à primeira vista. Não pode haver liberdade sem lei. Mas também não pode haver uma lei que seja compreendida e assimilada sem liberdade.
Ninguém fica doente porque os pais se separaram ou se casaram novamente. Isso é papo-furado. Uma pessoa fica doente é porque os pais não souberam se relacionar com ela. Ou ela com os pais.
Ninguém fica doente porque os pais brigavam ou bebiam mais do que deviam. Isso também é papo-furado. Uma pessoa fica doente é porque os pais não sabiam brigar a briga certa, nem entre eles, nem com os filhos. Acima de tudo, se ficavam ébrios, não sabiam como, numa boa, inebriar os filhos. Ou os filhos não sabiam inebriar os pais.
O mais importante não é os pais fazerem isso ou aquilo. A pergunta decisiva é essa: eles emocionavam ou não emocionavam os filhos? arrepiavam ou não arrepiavam os pêlos do antebraço dos filhos?
Filhos encantados pelos pais enxergam-nos de uma maneira muito mais benevolente e positiva. Tal como qualquer adulto enrabichado. O importante não é ter pais "bons". O importante é ter pais emocionantes. Principalmente se eles se emocionam com a gente.
As crianças que, por exemplo, foram mal transadas nos seus primeiros meses de vida, são obrigadas a despertar prematuramente de sua angelical displicência e a botar, antes do tempo devido, suas despreparadas cabecinhas para funcionar.
Algumas delas tornam-se crianças-prodígio por conta desse prematuro desenvolvimento do intelecto. Se os pais fracassam, o próprio instinto de vida da criança aciona seus mecanismos de reserva, de emergência, e ela substitui os cuidados paternos pelo recurso de apelar para sua própria cabeça. Quer dizer, ao invés de se deixar cuidar, sente-se obrigada a prematuramente cuidar de si própria. Tornar-se emocionalmente órfã de pai e mãe, e filha de si mesma. Sua cabeça é seu pai e sua mãe.
Mas isso custa um enorme preço. Tudo bem, pode compor sinfonias aos quatro anos, dominar a gramática e os números aos seis, disputar torneios de xadrez aos nove, mas paga o preço de se tornar uma cabeça gigantesca num coração tímido e nanico. A enorme riqueza intelectual coexiste com uma enorme pobreza emocional. Não é à toa que, chegando à adolescência, onde aumenta a sobrecarga, o sistema pifa e muitas dessas crianças adoecem gravemente, até mesmo se tornando esquizofrênicas.
Se a esse sistema não sucumbem tão dramaticamente, podem ficar intelectualmente desembaraçadas, camuflando assim uma profunda timidez emocional. Na hora da intimidade, da entrega, da afeição, revelam sua fraqueza cósmica. Podem brilhar na escola, na política, no papo, mas não brilham na arte de amar e se fazer amar.
Os self-made men, os heróis de anúncio dos cigarros Camel, muitos intelectuais, os lobos solitários são exemplos dessa forma disfarçada de timidez. São gigantes por um lado, mas anões por outro. São auto-suficientes por um lado, superconfiantes em si, mas extremamente dependentes e vulneráveis por outro lado.
É que, no fundo, guardam uma imagem de fracasso de suas próprias emoções. Afinal, elas não foram capazes de emocionar seus próprios pais. Desconfiam da força de seu amor para serenamente despertar amor. Confiam na cabeça, mas desconfiam do coração.
Essa é uma das causas da timidez. Muitas pessoas que tiveram essa história, embora não tenham sido bem-sucedidas intelectualmente, apresentam essa aparente auto-suficiência através de uma enorme capacidade de ficarem sós, sem amar nem ser amadas, numa eterna espera do príncipe encantado, de um Messias do amor que algum dia chegará. As Belas Adormecidas, que existem em tão grande número por aí, são versões femininas desses self-made men. No fundo, não arriscam suas emoções com as pessoas de carne e osso porque desconfiam delas. Muita mulher frígida, porém romântica, também é uma variante desse processo. Entrega a alma para não entregar o corpo, porque no fim das contas teme se entregar por inteiro.
Além das relações entre pais e filhos, outros fatores podem atuar no desenvolvimento da timidez. Uma vida dura, em precárias condições de conseguir qualquer coisa, favorece a timidez. Essa é mais uma das desgraças da pobreza. E se a pessoa não tiver recursos materiais, não será aceita por aqueles que os têm, só será aceita pelos outros! Que, como ela, não dispõem desses recursos. Assim, tenderá a desenvolver uma terrível espécie de timidez: se sentirá solta e forte entre os despossuídos e tímida diante dos poderosos. Ficando tímida diante dos poderosos, fica difícil, para ela, melhorar de vida, já que os poderosos controlam as riquezas do mundo. É assim, também, que os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
Não quero dizer, com isso, que a vida mansa seja o antídoto da timidez. De modo nenhum. Crianças pobres ou ricas, pouco exigidas por seus pais, excessivamente mimadas e protegidas, obviamente não ficam preparadas para enfrentar a realidade do mundo que as aguarda.
A timidez também é influenciada por fatores inatos, que se somam à maneira como a criança foi criada e à situação social da pessoa. Tímidos todos nascemos, porque é universal o medo de não ser aceito, de ser rejeitado. Mas certas pessoas parecem ter recebido uma força hercúlea para suportar esse medo e uma inspiração divina para saber como superá-lo. São obstinadas e já nascem com uma habilidade, um jeitinho simplesmente irresistíveis. E se não comovem aqueles que as cercam, insistem até em descongelar geleiras. Mesmo que não consigam isso enquanto crianças, sua fé em si próprias prossegue inabalável. Tão inabalável quanto sua crença na bondade das outras pessoas.
O mundo inteiro pode lhes ter sido cruel e elas prosseguem acreditando que mais dia menos dia tudo mudará. Que apesar das mais gritantes aparências em contrário, mais cedo ou mais tarde aparecerá o lado belo das pessoas e elas se encontrarão no espaço da emoção e da poesia. Nada demove a esperança de dias melhores, o que alimenta sua perseverança. Como confiam em si nascem com uma espécie de fé instintiva, não se abatem com o fracasso. Por isso jamais perdem a ousadia, o atrevimento, o desassombro, a audácia de se lançar de corpo e alma na aventura que é viver. Seu otimismo não é ingénuo e nada existe nelas de bobo alegre. Não. O mais incrível é que são lúcidas, realistas, objetivas, enfrentam a vida como ela é, e nem por isso deixam de ser ternas, poéticas e comovidas.
Realmente, pessoas que já nascem assim estão ungidas pelo óleo sagrado de uma irresistível vocação para a vida e a felicidade.
Instintivamente, pensam grande, sentem grande, agem grande. Todos os seus atos são marcados pela grandeza, jamais pela avareza ou mesquinhez. Amam certo, desejam certo, odeiam certo, recuam certo, avançam certo, entregam-se certo, louvam-se certo. Contra essas, só a morte física pode conter a avassaladora vida que possuem. Infelizmente,a humanidade não é contemplada por um grande número desses seres predestinados. Talvez 5 ou 10% da população, talvez até menos, nascem tão generosamente dotados. Se nascem feios fisicamente, conseguem se tornar belos, tamanha a beleza interior que possuem. Se nascem pobres materialmente, conseguem superar a pobreza, tamanha a riqueza interior de que dispõem.
Esses, é óbvio, jamais serão tímidos. E até diante dos vestígios de timidez que lhes restam, reagem ainda com essa bênção da vida que é possuir humor. Interiormente, não se abatem. Chegam até a achar graça e a se orgulhar da própria fraqueza. Afinal, revelam que são humanos. E o humor é isso: a capacidade de enxergar a graça que existe até mesmo na desgraça.
Não bastasse o humor essa forma superior de inteligência , ainda possuem a dádiva da resignação. Não a resignação dos fracos, daqueles que desistem da luta antes de terminar. Não. Refiro-me à lúcida resignação dos sábios, aqueles que profundamente e numa boa descobriram o limite da condição humana e não sofrem mais com isso.
Com tamanhas virtudes, é óbvio que esses privilegiados escaparão aos efeitos sinistros da inescapável timidez.
Se existe gente que nasce assim, existe gente que nasce justo o oposto. É impressionante sua falta de vocação para a vida, sua precária inspiração de se enriquecer com a experiência. Pessoas desse tipo podem ter os melhores pais do mundo, as experiências mais estimulantes e enriquecedoras, que nada adianta. Possuem um trágico daltonismo psíquico: jamais conseguem enxergar o verde da fecundidade, do sinal aberto, da esperança. Só enxergam o vermelho, no mau sentido dessa cor, naquilo que ela simboliza sinal fechado, sangue, perigo, violência. Ou confundem as duas cores: ora prosseguem, despreocupados, diante de sinais realmente fechados, ora se paralisam diante dos sinais abertos.
Pensam pequeno, sentem pequeno, agem pequeno; a avareza e a mesquinharia massacram a grandeza e a generosidade. Enxergando um mundo por uma ótica amesquinhadora e se comportando mesquinhamente diante dele, só experimentam relacionamentos negativos. O baixo astral que irradiam torna essas pessoas dignas do apelido de gangorra: onde quer que sentem, todos se levantam. Sua vulnerabilidade às frustrações é espantosa. Qualquer coisa mais difícil desperta logo a mais robusta das preguiças. Basta representar algum esforço, que não sentem mais prazer. E diante da dor, ao invés da obstinação, apresentam a desistência, a rendição, a desesperança. A partir da desistência, ou se tornam "um pote até aqui de mágoa" ou se recolhem definitivamente como ostras em seus interiores, saindo desse mundo real das pessoas para o refúgio nos castelos da fantasia e da imaginação, tristes Pasárgadas onde se é amigo de um rei de nuvem num reinado sem terras.
Podem tentar enfrentar esses problemas procurando tornar bêbada ou entorpecida a realidade de suas emoções. Se escapam das mais graves esquizofrenias, refugiam-se nos tóxicos ou no álcool, ou saem do mundo, indo morar emocionalmente no interior do próprio corpo, na terra de suas próprias vísceras, tornando-se hipocondríacos.
Felizmente, esses predestinados à timidez e à infelicidade também não compõem senão uma parcela insignificante da humanidade. Dificilmente alcançam a taxa de 5% das pessoas. Logo, mais de 90% das pessoas situam-se entre esses dois extremos. Algumas mais próximas daqueles afortunados com vocação inata para a vida e afelicidade. Outras, daqueles desafortunados que não conseguem se libertar de uma vida cuja infelicidade é resultado de uma invencível timidez.
Se a timidez aparece diante de situações pouco familiares, se representa um medo do novo, um temor diante do estranho e desconhecido e se tende a desaparecer quando se está em situações familiares, íntimas e conhecidas, qual então seria o seu remédio? Obviamente, fazer da situação estranha uma situação familiar, do desconhecido algo conhecido. Afinal, o novo só é novo enquanto não se transou com ele.
Entretanto, a maioria dos tímidos diz que é exatamente isso que fazem: enfrentam as pessoas e situações que os fazem sentir-se tímidos. Não duvido. Tenho certeza que, na verdade, enfrentam e já saborearam o pão diabo amassou. Só quem já sentiu timidez sabe a dor enorme que ela representa quando bate forte. Lutamos com todas as nossas forças para tolerá-la e superar o medo paralisante e somos massacrados. Parece que lutamos contra um Golias sem sermos Davi, sem possuirmos atiradeira ou qualquer habilidade para manejá-la. Realmente é um massacre.
Todavia, com 18 anos de consultório psicanalítico, já analisei tímidos de toda espécie e em todos observei o seguinte: todos afirmam que lutam com todas as suas forças e que não adiantou. De fato lutam. No entanto, comparando seu empenho com o de outros pacientes que vão super aos poucos sua timidez, lutam muito menos. Têm muito menos garra, muito menos tolerância à dor e à dificuldade. Desistem muito mais rapidamente e substituem a garra pelo culto das impossibilidades. Em outras palavras, resignam-se com maior facilidade e quando não desistem são lerdos para novas escaramuças. Ao invés de agir, preferem sofrer. Ao invés do sofrimento ativo, tendem a optar pelo sofrimento passivo. Simplesmente escolhem a dor errada. É que da dor ninguém escapa. Só que existem dores estéreis, que não resultarão em nada, e dores fecundas, que cedo ou tarde resultam em melhoras. Crescer é a inspiração de escolher a dor certa, custe o que custar, doa o quanto doer.
O tímido escolhe às vezes a dor certa. Mas não tem obstinação e perseverança. Tenta cem vezes, quando teria de tentar mil ou duas mil vezes. Por isso, ele está com a certeza de que lutou. Só que está longe de ter lutado com todas as suas forças. Tanto é assim, que, quando em análise o analista lhe diz isso e ele dá conta desse fato, o tímido descobre que possuía dezenas de vezes mais força do que imaginava possuir.
Certa ocasião, veio ao Brasil um grande psicanalista internacional. Ele disse uma coisa que até hoje não esqueci: "Vocês sabem qual é a diferença entre aquele que será candidato à doença mental e aquele que será candidato à saúde mental? Vou lhes contar uma história. Dois amigos se encontraram. Tinham de realizar uma enorme e dificílima tarefa. O primeiro disse: levará cem anos para conseguirmos fazer o que temos pela frente; não adianta nem começar. Ao que o segundo respondeu: se vai levar cem anos, então comecemos imediatamente, porque não há um minuto a perder."
Terminou aí a conferência, deixando para nós a tarefa de descobrir qual dos dois seria o doente e o sadio.
A desgraça do tímido é que a timidez dói tanto, que ele tende a se arriscar menos do que devia ou a desistir, antes da hora, de enfrentar a situação. E, por isso, eterniza a timidez. Não tenho dúvida de que há reações de timidez espantosamente renitentes. Enfrenta-se a situação que gera o medo cem, duzentas vezes e o medo permanece exatamente como era. Daí a tentação de desistir. Mas também não tenho dúvida de que não há medo que resista à perseverança de enfrentá-lo cotidianamente, tantas vezes quanto se fizer necessário, pelo tempo que for preciso. Duvido que alguém que fale diariamente em público sinta, anos depois, timidez paralisante. Duvido que alguém que sistematicamente, doa o quanto doer, se exponha aos riscos do amor chegue aos 30 anos tão inseguro quanto era aos 20. Alguém ser tímido no amor aos 40 anos certamente significa uma história prévia de gazetas nos jogos das paixões. Amor e sexo são como falar em público. Aprende-se com a experiência. O problema é tolerar a dor psíquica de realizá-los. A tentação da encolha é grande demais. Só os obstinados conseguem resistir a ela. A timidez é terrível porque ela joga água fria na fervura da confiança e tende a gerar precoces sentimentos de desesperança o mais castrador de todos os sentimentos. Instalada a desesperança, tornando-se ela mais forte que a esperança, debilita-se a garra, a ousadia, o desassombro, a audácia, a obstinação, o atrevimento, qualidades fundamentais para o crescimento e expansão da personalidade. É que, enquanto predomina a esperança que não é a última, é a primeira que morre , o risco não é sentido como sinistro, nem a aventura se confunde com terror. Pelo contrário. Sobre os pilares da esperança, o risco e a aventura não geram desprazer, geram até prazer: aquele delicioso friozinho na barriga que nos estimula e deixa na boca o saboroso gosto do desafio. Ao invés de certeza do fracasso, o risco e a aventura, para o coração verdadeiramente esperançado, são o prenúncio da vitória, a glória de ter atravessado incólume o labirinto das adversidades, de ter saído ileso do ninho das cobras, de ter sobrevivido ao veneno das jararacas e às pragas dos urubus. Nesse estado de espírito, perder ou fracassar é até gostoso. Apenas legitima futuras vitórias, dá a elas mais sabor de realidade. Perdeu-se a batalha, mas não se perdeu a guerra.
Além disso, quando a esperança sobrevive aos duros reveses da vida e a fé em si próprio não se deixa abater pêlos fracassos, a pessoa descobre algo decisivo: que o medo do fracasso é mais terrível do que o fracasso propriamente dito, que o terror da rejeição é mais doloroso do que a rejeição propriamente dita. Não tenho dúvida de que o fracasso nas nossas aspirações de reconhecimento, a rejeição de nossas mais caras emoções geram instantaneamente uma sensação apocalíptica, uma vergonha carbonizadora, uma humilhação catastrófica. Parece que fomos eletrocutados por um raio da morte. Uma gargalhada cósmica ergue-se contra nós e todas as partículas do universo parecem adquirir uma macabra feição de zombaria. Viramos um desprezível mico preto, um ridículo serzinho sem qualquer valor; o príncipe vira sapo e nossa cara de broa ou de pastel não deixa margem a dúvidas. Passado o instante trágico da chacota e da desmoralização, segue-se outro tão duro quanto este: ficamos deprimidos. Nossa luz se apaga, perdemos nosso brilho, nossa poesia e nossa cor. Aí duas coisas podem acontecer: ou ao se apagar a nossa luz todas as luzes se apagam e a vida perde vida; ou tudo que não for a gente se torna mais luminoso ainda, pura maravilha, e ficamos corroídos de inveja.
No primeiro caso, vivemos uma das mais terríveis sensações: todas as coisas são como eram antes, os objetos, as paisagens e as pessoas estão ali como sempre estiveram, mas é tudo um museu de cera; simplesmente, apesar de respirarmos, a vida inteira morreu. Tudo e todos são zumbis, nada mais que mortos-vivos, estátuas de carne e osso, que falam e andam, mas nem por isso menos estátuas.
No segundo caso, a grama do vizinho fica insuportavelmente verde e nossos campos insuportavelmente secos, de aparência desolada como a mais desolada das caatingas. Chove em todos os vales que nos cercam enquanto sobre o nosso se abate a mais árida das secas nordestinas.
Contudo, como não há mal que sempre dure, passado o choque, desfaz-se aos poucos o furacão interior. E aí se revela a mais fundamental de todas as descobertas: que tudo não passou de um terrível sonho, de um funesto pesadelo. É que, ao contrário do corpo, a alma pode sofrer as maiores violências e se recuperar. Pode, repito, ao terceiro dia, ressurgir dos mortos, renascer das cinzas.
É exatamente isso que o tímido não chega a descobrir, porque desiste antes, porque abandona prematuramente a arena da vida, o coliseu cheio de leões comandados por Calígula. Se tivesse se deixado devorar, teria descoberto a milagrosa imortalidade de nossa emoção. Podem sangrá-la, podem feri-la, podem deixá-la à míngua que ela parece que morre, mas na realidade não morre nunca. Pior que rabo de lagartixa, nossa alegria de viver volta sempre a renascer.
É isso que descobrem aqueles que não desistiram nunca.
Todos nascemos tímidos. Aqueles que param antes permanecem tímidos. Aqueles que vão adiante deixam de sê-lo. Ao descobrirem a ressurreição das almas, adquirem uma inquebrantável confiança. Não temem mais os pesadelos que os aguardam. Ao chegarem à maturidade, nem mais sentem os pesadelos. É que alcançaram a força serena da sabedoria.
A timidez é uma reação de fuga atinge todas as pessoas timidez e medo de rejeição estão interligados o tímido tem menos determinação do que o necessário a relação entre pais e filhos é determinante no desenvolvimento da timidez.
O que é timidez?
A palavra timidez designa uma sensação de medo paralisante. A pessoa tomada pela timidez perde a espontaneidade e, por mais que lute contra ela, não consegue se sentir à vontade. Fica meio sem graça e sem assunto; a inteligência e a graciosidade caem vertiginosamente. O pior é que esse medo não tem lógica aparente. Por isso o tímido não consegue entender as razões de sua timidez. O medo parece, pois, um medo irracional. Ele aparece quando nada de mais grave está acontecendo.
A pessoa fica meio abobalhada e, às vezes, seu coração dispara ou perde o ritmo, pondo-se aos pulos dentro do peito. As mãos, as axilas e os pés suam e podem ficarfrios. Quando a timidez é muito forte, pode aparecer uma sensação de desmaio e uma vontade incontida de sair correndo para casa. Se fôssemos crianças, abriríamos o berreiro e gritariamos por mamãe.
Existem, pois, vários pontos semelhantes entre a timidez e as fobias (por exemplo, fobia de altura, de espaços fechados, de multidão, etc.). Na realidade, a timidez é uma espécie de fobia: fobia de gente. Mas não de todo mundo. Geralmente, de pessoas importantes, desejadas ou estranhas, diante das quais o tímido não está seguro de ser ou não bem aceito. Pode também aparecer diante de pessoa íntimas e familiares, desde que estejamos transando com elas facetas nossas que até então não havíamos ousado transar ou que ainda não havíamos transado suficiente para nos sentirmos seguros. Para esses lados nossos são estranhas mesmo as pessoas íntimas e familiares sob tantos outros aspectos. Simplesmente, não sabemos como elas reagirão.
Timidez, portanto, não é um medo qualquer, como ficar com medo de alguma coisa realmente perigosa como um réptil venenoso, uma fera humana ou zoológica, uma grave doença. Não há qualquer ameaça real à nossa vida, mas o medo aparece. Timidez é um medo específico: é um medo que gente sente de gente.
Salta imediatamente aos olhos que é um medo que tem a ver com rejeição, menosprezo, não aceitação de nossa pessoa pelos outros. A intensidade dramática desse medo e sua espantosa frequência (não há no mundo alguém que não o tenha sentido centenas de vezes) revelam como é vital para o ser humano ser objeto de carinho e da afeição dos seres humanos. A força do medo de não ser aceito conta a história da força do desejo de ser aceito. Por isso, repito sempre: o que o desejo deseja é ser desejado por aqueles que deseja; o que o afeto deseja é afeiçoar aqueles pelos quais está afeiçoado; o que a emoção deseja é emocionar aqueles pelos quais está emocionada. Em suma, o amor ama ser amado por aqueles a quem ama.
Ser correspondido é o bem supremo, a glória máxima. Não ser correspondido é o mal supremo, a vergonha e a humilhação máximas; se o corpo permanece vivo, a alma ameaça morrer.
Nosso instinto de sobrevivência não se limita, portanto, a proteger a vida de nosso corpo. Sua garra dirige-se também à proteção de nossa emoção. Por instinto, lutamos pela vida do corpo e pela vida da alma. A timidez é o medo que sentimos pela vida de nossa alma, não no sentido religioso, mas no sentido poético do termo. E nossa alma só vive pela correspondência e pelo encontro emocionante e emocionado com outras almas. Esse é seu oxigênio. Afinal, de nada adianta estarmos com o corpo vivo numa alma morta. A timidez é o pressentimento desse risco.
Ora, se a timidez é o pressentimento do risco iminente de morte ou violência contra nossa alma, por que então ela se manifesta com o rebaixamento da inteligência, do espírito de luta, da garra de ultrapassar os obstáculos? Qual a lógica de perdermos a nossa graciosidade no momento em que mais necessitamos dela? Que instinto de vida é esse que nos faz abobalhados, taquicárdicos, suarentos e zonzos, logo nas horas que teríamos que ficar mais afiados? Como se explica que, nos momentos de decisão, defronte das pessoas mais importantes, nas situações mais decisivas para a vida da gente, ao invés de nos agigantarmos, tantas vezes viramos pigmeus, de estatura muito inferior à nossa verdadeira estatura?
É que o instinto de vida funciona de duas maneiras: ou despertando o gigante adormecido que existe em nós para enfrentarmos a ameaça, ou fazendo com que nos afastemos dela. Em outras palavras: funciona num sistema de luta ou fuga. Quando há esperança de superar a ameaça e sentimos que vale a pena, então lutamos. Quando não há esperança sentimos que não vale o esforço, fugimos.
A timidez é nitidamente uma reação de fuga. quando em certas situações surge a timidez, se fossemos crianças não pensaríamos duas vezes: sairíamos correndo para nos refugiarmos em casa ou para nos atirarmos nos braços de mamãe. Como não somos mais criança nosso orgulho de adulto não admite um ato que represente tamanha fraqueza. Controlamos nosso corpo e ele fica ali, mesmo que meio tenso, duro e sem ginga na cintura. Mas não controlamos nossa alma, que sai em disparada para se encaramujar em nossos interiores. Assim, porque não ficamos mais presentes, por inteiro, participando de corpo e alma da situação, ficamos psicologicamente empobrecidos e mediocres. Essa é a dinâmica universal de todo sentimento de timidez.
Diante de estranhos
A timidez aparece mais forte diante de estranhos, por uma razão óbvia: simplesmente não os conhecemos e como saber como nos receberão. Daí o medo das situações ainda não suficientemente conhecidas. Seremos julgados por estranhos e não sabemos direito como pegar o jeitinho deles.
Além disso, não há uma história vivida em comum para garantir um mínimo de afeto prévio, o que tornaria o julgamento menos implacável. Se a situação for do tipo calouro do Chacrinha, com buzina e abacaxi na mão, sem outras oportunidades, o medo será maior do que se houver garantia de que, se não der dessa vez, haverá oportunidade para acertar de outra.
Essa sensação de que haverá outras chances é o que diminui o medo diante de pessoas mais amigas, conhecidas ou familiares. Justamente porque se teme não haver outras oportunidades é que o medo aumenta no primeiro encontro com aquela pessoa que nos encantou. Se agradar, agradou.
Se não agradar, dançou. Esse é o elemento que exacerba a timidez.
Por razões equivalentes é que ficamos mais tímidos logo que chegamos numa festa do que depois de já estarmos ambientados nela. Estarmos ambientados é o termos sacado mais o jeito das pessoas e termos verificado que nem sempre nos agradam a buzina e o abacaxi. De alguma maneira, já sentamos no trono. Agora, mesmo se errarmos, não seremos mais aquele trágico zero à esquerda.
Existe ainda uma outra razão: é que o pressentimento da catástrofe é geralmente mais desesperador do que a própria catástrofe em si. E esse é o problema dos tímidos: têm tanto medo da catástrofe efetiva que não se arriscam suficientemente. Resultado: não se familiarizam com a catástrofe e, por isso, não descobrem que as catástrofes passam e não são tão catastróficas assim. Que, ao contrário do corpo, no terceiro dia (ou antes) há a ressurreição da alma. Almas podem morrer, porque almas mortas se erguem das tumbas e retornam à vida. Pena que os tímidos não saibam disso.
Diante de muitas pessoas
Se por um lado a timidez costuma ser maior diante de pessoas estranhas ou de situações novas, por outro o número de pessoas exerce bastante influência. Isso porque entra em cena algo que valorizamos muito: o nosso prestígio. Claro, nós o valorizamos muito porque dele depende o grau de boa ou má vontade com que as pessoas, como um todo, nos receberão. Quanto maior o prestígio, maior a segurança de ser bem recebido e vice-versa.
Daí o medo extraordinariamente frequente de falar em público ou se expor de alguma maneira diante de muitas pessoas. Tudo que ameaça o prestígio gera um enorme medo. O poder, a beleza física, o dinheiro, a cultura, a inteligência só são cobiçados porque aumentam o nosso prestígio diante dos outros. É que no fundo, no fundo, queremos mesmo é ser amados, que gostem da gente, que nos achem o maior barato.
Isso é tão importante para nossos sentimentos que, se nos faltar, ficamos tristes, desvalorizados e inferiorizados a ponto de a vida perder toda sua graça, seu brilho e sua cor. Muita gente chega até a se matar fisicamente só porque se sentiu morta emocionalmente.
Continuarei amanhã com o mesmo tema: " TIMIDEZ". Falando da falta de perseverança.
enviada por Maria Miranda
19/04/2006 17:37 Uma primeira palavra que é também uma confissão de bons propósitos
Porque a vida é o mais longo de todos os aprendizados, viver é a mais paciente de todas as artes. Ela pode, em verdade, ser trágica em seu conteúdo e meteórica em seu percurso, mas, ao mesmo tempo, rica e admirável em sua mensagem e saudosa em sua lembrança. Apressados enquadramentos podem, até, tentar amesquinhá-la, quando, na realidade, ela esconde, para além de sua máscara e rugas, o vigor de uma grande definição e a limpidez de uma ensolarada verdade.
O barro da vida clama por mãos de mestre que a moldem e lhe dêem os contornos de uma obra de arte. Caso contrário, ela se atolará, melancolicamente, nos descarrilamentos de uma viagem arrevesada, ficando longe, muito longe da grandeza para a qual estava destinada.
Ganha-se a vida de graça, mas aprende-se a vivê-la de cobranças. Para com ela, a pessoa está sempre em débito, na permanente busca de um saldo positivo. Nunca a temos suficientemente nem nunca a somos na medida justa. Mesmo assim, a vida continua se dando de graça, até para os que a vivem desgraçadamente.
Embora sejamos todos mestres em sua escola, continuamos a ser sempre, no dia-a-dia, até ao fim, seus aplicados ou displicentes e, quem sabe, indisciplinados discípulos. Vamos aprendendo aos percalços, nos acertos e cabeçadas, com o bem que custa e o mal que nos tenta, o que fazer com o privilégio de ainda estarmos vivos.
Aprendemos, quando a vida nos derruba, por exemplo, que os tombos doem até o dia em que já sabemos como cair com jeito e não mais dramatizamos exageradamente, os trancos que recebemos.
Aprendemos, quando a vida nos afaga, que o coração gosta de ser massageado, ate o dia em que descobrimos que tais satisfações podem ser pequenas inconsistentes e que só o amor verdadeiro é o grande sonho pretendido.
Quando a vida nos sussurra mil promessas, aprendemos que ela é encantadora, até ao dia em que experimentamos, com as lágrimas do espírito, que, se a tentação é, ínegavelmente, uma graça, cair nela pode significar um desastroso descaminho de graves consequências para nós e para tantos outros.
Bem que poderia o "bolo" ser estatuído como símbolo eloquente da vida, porque tanto pode de se tonar a expressão de uma festa que congrega e alegra as pessoas, como também ser o resultado de uma tremenda embrulhada ou de um inesperado arrepio.
Além da arte da vida, a vida também é um mistério que pede para ser bem tratado. Não se pode agredí-lo com com irritação, amassá-lo como papel velho e barateá-lo por falta de apetite e paixão.
A vida é uma riqueza, a maior que temos , e que, infelizmente, só aprendemos a apreciá-la quando estamos quase por perdê-la. O valor da vida pode, desafortunadamente, ir se descaracterizando com a ilusão de falseadas opções.
Se, por um lado, é tão bom viver,por outro, é só vivendo bem, de coração aberto, que a vida se torna uma bem aventurança. Os anos que temos foram o tempo que já ganhamos para aprender a arte de fazer da vida uma palavra ben-dita, fonte de felicidade para os outros e de alegria para nós.
Quando tantos mal-dizem, gostaria de bem-dizer a vida.
Já peço perdão, se grosseiramente, vier a maltratar seu mistério. Como São Francisco, gostaria de cgamá-la de "irmã" e de poder dizer: " Louvado sejas, meu Senhor, por nossa querida irmã, a vida, que nos encanta e seduz, que nos desafia e , às vezes, machuca, que nos envolve e , ao mesmo tempo, foge de nós. Ela é toda tua, de ti saiu e para ti retornando, na glória dos dias que são ricos e fecundos e no peso dos anos que já se encaminham para o fim"
Amor
O mais nobre de todos os sentimentos.
A possibilidade de amar é natural em todos.
É como a respiração: natural e fundamental.
Sem amor a vida não tem um sentido claro;
a depressão aloja-se facilmente;
perdemos amigos e companheiros.
A prática de amar leva-nos muito próximos a Deus.
Tornando-nos pessoas alegres e cheias de vitalidade.
Amar não se resume apenas à pessoa desejada.
O amor é o combustível do Universo.
É o veículo de comunicação com a felicidade.
Assim, devemos sempre nos lembrar:
Amar a si próprio, permitindo, com auto-respeito, descobrir quem somos,
porque agimos de tal forma e qual o caminho para o bem estar.
Amar a vida, um sentimento de pura integração com toda a existência.
É a verdadeira união.
A possibilidade de crescer, aprender e enriquecer.
Amar ao próximo, a maneira de agradecer à possibilidade de sorrir,
viver e dar a sua contribuição para que outros possam usufruir desta
Antigamente, havia uma repressão violenta da homossexualidade e era impensável um homem querer virar mulher. Homem era homem e mulher, mulher, e ponto final. E ai de quem ousasse transgredir as normas morais vigentes! Seria execrado por tudo e por todos.Nessa época, não é que houvesse menos tendência homossexual nos homens. O que havia era uma repressão maior da homossexualidade. Os homens ou escondiam sua homossexualidade, só a exercendo em estreita clandestinidade, ou nem sabiam que eram homossexuais, tamanha a repressão dentro deles mesmos resultado é que, sendo homossexuais reprimidos, acabavam ficando sem sexualidade alguma. Não podiam fazer sexo com homem porque o desejo estava reprimido. Não podiam fazer sexo com mulher, simplesmente porque eram homosexuais. Exemplos disso eram aquele tio solteirão, aquele diplomata assexuado, aquele professor do colégio que vivia sozinho, aquele primo que sem ser lá muito religioso acabou virando padre...
Ora, como os homossexuais na ativa eram enrustidos os outros nem sabiam que eram homossexuais, a aparência é de que havia muito menos homossexualismo do que hoje dia. Nova Iorque, por exemplo, atualmente possui uma pulação gay que se aproxima dos 20% dos homens e a porcentagem continua subindo. E tudo é feito às clara vista de todo mundo.
Isso criou uma cultura dentro da cultura: a cultura gay. Essa cultura tornou-se relativamente organizada e poderosa: edita livros, faz passeatas, dá entrevistas nos grandes canais de comunicação, dispõe de recursos financeiros, faz filmes, músicas e peças de teatro, publica revistas e elege prefeitos, deputados e senadores. Acima de tudo, cada membro de comunidade protege e ampara de algum modo os outros membros, pelos laços de identidade, afinidade e solidariedade recíproca.
Isso mudou significativamente o modo de um homossexual se sentir. Já não se sente tão desamparado, tão diferente, tão anormal, tão objeto das críticas cruéis e unânimes da sociedade.
Também facilitou as coisas o fato de, com a emancipação das mulheres, os papéis masculinos e femininos terem ficado menos definidos. Hoje um homem ser feminino e uma mulher masculina já não inspiram o mesmo grau de escândalo.
Com essas transformações na cultura, os enrustidos ousaram se assumir e os reprimidos passaram à condição de enrustidos e se assumem numa proporção cada dia maior. Resultado: parece que a homossexualidade vem crescendo assustadoramente.
Todavia, o ponto mais importante e decisivo é o que eu chamaria de serenidade gay. Antigamente, era tão impensável para um homem se relacionar fisicamente com um homem, que ele, para tolerar suas culpas, se obrigava a se transformar... em mulher! É isso mesmo. Como macho, não poderia se relacionar com outro macho. Mas ele não queria virar mulher. Então virava uma caricatura de mulher. Gestos afeminados (e não femininos) numa alma de garanhão invertido. Só pensava em sexo, não possuía recato, pudor ou discrição. Uma verdadeira pomba-gira de calças. Essa é uma das causas do tipo que ficou conhecido popularmente como bicha louca.
Mas não era só por isso que se transformava numa caricatura de mulher. É que a sociedade era tão repressiva que o obrigava a se transformar numa arara espalhafatosa e desmunhecada. Uma caricatura de mulher desclassificada e sem charme ou categoria. "Você quer ser como uma mulher, então terá de ser uma mulher desclassificada e jamais uma dama, uma mulher de classe, capaz de com sua suavidade inspirar delicadeza e romantismo."
Afora tudo isso, é típico da psicologia dos perseguidos ou sucumbir à perseguição ou insurgir-se energicamente contra ela. Tornar-se acintosamente afeminado (e não feminino) representava, então, uma afirmação guerreira do próprio eu.
Instaurada a cultura gay, com força política, financeira e cultural, com os laços de solidariedade recíproca, o desamparo diminuiu. Surgiu primeiro o orgulho gay, fase ainda guerreira de afirmação. Atualmente, começa a surgir a serenidade gay, fase que revela maior segurança e menos necessidade de afirmação.
Pelas ruas de Nova Iorque, vêem-se homens masculinos amando masculinamente homens masculinos. Tudo natural e serenamente. Vêem-se homens femininos amando femininamente homens femininos (e não afeminados). Tudo também natural e serenamente. E todas as combinações possíveis.
Com o advento da serenidade gay que começa a brotar aqui e ali, está aberto o campo social para o desaparecimento dos afeminados e para o aparecimento dos homens femininos e até dos travestis femininos (e não caricatos, ou seja, afeminados).
Não Cabe a mim, como psicanalista, julgar, dizer se isso é bom ou mau, certo ou errado. São fenómenos culturais dos tempos contemporâneos e que, ao que tudo indica, vieram para ficar. Como psicanalista, cabe-me apenas descrever e tentar compreender o que se passa. Sem hipocrisia. Afinal, as pessoas precisam entender o mundo em que estão vivendo.
Desconfio que, se acaso existe alguma inclinação heterossexual de nascença, ela é tão fraca que pode perfeitamente se apagar, conforme as experiências de casa um. tanto é assim que a sociedade construiu uma das maiores campanhas publicitárias de que se tem notícia contra a homossexualidade. Se computássemos o quanto de esforço a humanidade vem despendendo para demonstrar que ser heterossexual é que é bom, enquanto ser homossexual não é, e transformássemos essa venda de imagem, no último milênio, em dólar, a quantia daria folgadamente para pagar dez vezes a dívida externa do Brasil e ainda sobraria dinheiro para fazermos desse país uma das maiores superpotências de que se tem notícia!
Oram se a heterossexualidade fosse tão natural edeterminada pelo instinto assim, alguém se daria ao trabalho de enaltecê-la tanto e de combater tanto o seu posto?
A questão moral é sempre a mesma : ela só se importa em enaltecer o que não é ponto pacífico e só trata de condenar o que representa algum grau de tentação. Quanto menos ponto pacífico for algum comportamento desejado pela sociedade, mais ela se empenhará em demonstrar ser ele maravilhoso. Quanto mais tentador for um comportamento que a sociedade não deseja, tanto mais ela arregaçará as mangas para formar a mais fantástica rede de intrigas e de desvalorização.
Logom o próprio empenho da moral e do preconceito em louvar a heterossexualidade e excrar a homossexualidade demonstra que a natureza humana não é tão heterossexual assim .
Diga-me o que você condena, que lhe direi o que você teme desejar...
O que me intriga é que, sendo a moral tão descaradamente a favor da heterossexualidade, haja gente que ainda pague o gigantesco preço de ser homossexual. Ser heterossexual é fácil, é facílimo.
Ser homossexual é das atitudes mais difíceis do mundo. Realmente me admira a extrema ousadia dos homossexuais. Ou, pelo menos, me espanta a extrema força de seu desejo.
Por isso, quando estou diante de um heterossexual, sempre me é difícil saber se ele gosta do sexo oposto porque gosta mesmo ou porque lhe fizeram a cabeça de uma forma irresistível. Quando estou diante de um homossexual, pergunto-me que força estranha foi essa que fez com que ele preferisse o dificílimo caminho da homossexualidade. O que terá para um homem homossexual um outro homem de tão melhor que uma mulher que mereça tanta renúncia. Ou, para uma mulher homossexual , o terá uma outra mulher de tão melhor que um homem que mereça tanto sacrifício? Como, no fundo, não acredito que homem seja melhor do que mulher e nem mulher melhor do que homem, essas perguntas me intrigam. Afinal, se a gente parar pra pensar não há tanta diferença assim. Se homem tem as suas vantagens, mulher as tem igualmente. E desvantagens também. Por que, apesar disso, tantas pessoas pagam preço tão alto para serem homossexuais? Realmente, isso me intriga.
Qualquer um de nós pode escrever páginas e mais páginas enaltecendo quer o corpo masculino , quer o corpo feminino. E outras tantas demonstrando o lado negativo de cada um. Portanto, por aí ninguém vai nos convencer. Fazer louvor aos músculos, ao pênis, é tão fácil quanto louvar os seios, o temperamento, a pele, a maciez, os genitais e as curvas femininas. Pichar todas essas coisas é do mesmo modo fácil. O enigma é grande!
Em suma, quando um homem prefere outros homens é porque ou acha homem um parato tão grande que tudo vale a pena, ou acha mulher um horror tão grande que, apesar de todas as incoveniências, não transa com ela. Se não acredito que o instinto heterossexual humano seja tão forte assim, também até em nome da coerência, não acredito que o instinto homossexual seja tão forte assim. O instinto sexual humano, como eu já disse, é acima de tudo sexual. Liga-se a homens ou a mulheres.
Coma cultura faz tudo para a gente ser heterossexual, o estudo dos heterossexuais é menos interessantes do que os dos homossexuais. Claro, um heterossexual é muito mais difícil de ser compreendido. Jamais saberemos se é hetero por convicção ou por conveniência. POr isso, e só por isso, o estudo dos homossexuais é mais interessante. Eles foram radicais. Apesar de todas as conveniências e contra todas as pressões, preferiram suas convicções. uma pessoa pode ser homossexual por duas razões: ou porque acha as pessoas do seu próprio sexo um esplendor tão grande , que o ourto sexo perde todo o atrativo; ou porque acha as pessoas do sexo oposto um horror tão grande que, apesar dos altos preços, é melhor se relacionar com as pessoas do mesmo sexo do que não se relacionar com ninguém.
Ninguém melhor do que os homossexuais para que se apure a lógica profunda do desejo humano.
Em terceiro lugar, não é verdade também que os homossexuais tenham sido mimados demais pela mãe, tornando-se afeminados. esse papo de que mãe superprotetora e pai fraco geram homossexualidade também é mecanico e moralista.
Um menino excessivamente mimado pela mãe e pouco ligado ao pai pode ficar homossexual,mas pela mesma razão pode ficar heterossexual.
Como foi bem tratado demais pela mãe só pensa em se ligar a mulheres - ou por vício ou por gratidão. Ligar-se a homem, não. Achando homem fraco, desinteressante, pouco atraente.
Quanto um menino é excessivamente mimado pela mãe e falta macho em casa, várias coisas podem acontecer. Ele pode ficar viciado em mãe e por isso sair procurando mulheres por aí.
Nesse caso, pode ficar encantado com elas, por que lhe recordam a mãe amada, ou decepcionado , porque não o tratam tão bem quanto foi tratado. POr incrível que pareça, um menino mimado pela mãe pode ficar com ódio dela e se tornar ou um heterossexual vingativo ou um homossexual , só para mostrar à mãe que não era isso que ele queria - ser visto como tão fraco a ponto de ser tão mimado
A partir desse tipo de raciocínio, eu poderia chegar ao ítem décimo, vigésimo , trigésimo. mas basta por a inteligência e a imaginação para funcionar paea descobrir, em cada tipo de relacionamento com mãe e pai, centenas de razões para um menino se tornar ou homo ou heterossexual.
Digo isso para chegar a seguinte conclusão? Ninguém no mundo pode prever , de antemão , se um tipo de criação resultará numa homo ou numa heterossexualidade. A mente humana é rica demais para esse tipo de previsão. eu não chegaria a dizer que as causas da homo ou da heterossexualidade são misteriosas, mas certamente são lotéricas. Os mesmos fatores que numa criança geram homossexualidade noutra podem gerar heterossexualidade.
Homo ou heterossexualidade não são , portanto doenças e suas causas não podem ser determinadas. Possuem a lógica de uma roleta, de um jogo de dados, da quina da loto, da mega sena. Sempre pode dar o inesperado. É que a mente humana é rica demais para que se possa prever seus caminhos.
Desconfio que nem no ano 10.000, computador algum desvendará as causas da homo e da heterossexualidade.
espero, contudo, que no futuro sejamos menos arrogantes, cruéis e moralistas e que possamos reverenciar melhor a complexidade humana. Nesse dia, ao invés de sairmos tachando os outros de virtuosos ou desnaturados, teremos alcançado a suprema virtude da humanidade e da compreensão humanas. Nesse dia, não haverá mais descriminação. Seremos todos irmãos. Sejamos homo ou heterossexuais. E digo isso como psicanalista; Como psicanalista heterossexual, sem conflitos homossexuais. Tão perplexo diante de sua heterossexulidade quanto estaria diante de sua homossexualidade.
Em segundo lugar, essa história de dizer que a homossexualidade decorre de uma infância infeliz é papo moralista. Tanto a homo quanto a heterossexualidade podem ser frutos de um mau relacionamento com os pais. Existem homossexuais por maus motivos, tanto quanto heterossexuais. Existem homossexuais de cuca fresca ou enrolada, por serem discriminados e tratados mal pela maioria , desenvolverão um lado relativo a esses ataques.
Nos seus níveis mais profundos, não são nem mais sadios nem mais neuróticos do que ninguém.
existem homossexuais de boa índole e bons sentimentos, tal como existem heterossexuais assim. existem homossexuais de má índole e maus sentimentos, tal como existem heterossexuais assim. A virtude e o perigo estão em toda parte. Não se definem pela identidade sexual. Em terceiro lugar, não é verdade que homessexuais masculinos tenham tido necessariamente uma má relação com a mãe e, por isso, tenham ficado grilados com o corpo feminino. Um menino que tenha tido mau contato corporal com sua mãe pode se tornar tanto homo quanto heterossexual. Nada é mecânico na mente humana. Um mau contato com a mãe pode gerar um horror à mulher e, assim, gerar uma atração física pelos homens. No entanto, exatamente por ter tido uma relação má com a mãe, um homem pode tornar-se heterossexual. Ou para se vingar dela, tendo relacionamentos machistas e opressores com as mulheres.Ou para provar à mãe que ela estava enganada ao rejeitá-lo e que ser homem é um barato para as mulheres. Ou para encontrar nas mulheres a mãe sonhada que ele não teve e gostaria tanto de ter tido. E tantas outras possibilidades .
Um mau contato com a mãe pode, portanto, gerar uma homo ou uma heterossexualidade.E dos mais variados tipos em ambos os casos.
" A natureza é mais sexual que homo ou hetero - homossexualismo não é doença - o relacionamento com os pais não explica o homossexualismo - já se pode falar de uma cultura gay.
Pontos Essenciais
Há muitos anos, observo, durante oito horas por dia, a intimidade humana.
A essa altura, acho que não é presunçoso ou arrogante de minha parte considerar-me credenciado a emitir opiniões. Não quero dizer com isso que me considero infalível ou dono da verdade. Longe de mim pretender ter desvendado todos os mistérios dos sentimentos. Entretanto, minhas opiniões poussuem um fundamento. Não se apoiam em preconceitos moralistas ou moderninhos de tipo prafrentex.
Sobre um tema tão explosivo e polêmico quanto o da homossexualidade cheguei a algumas conclusões que me permito considerar como sendo pontos essenciais para abordar convenientemente o tema.
Em primeiro lugar, tenho dúvidas se a natureza humana é heterossexual de nascença. Logo, não considero os homossexuais uns desnaturados. O fato de nos animais existir uma forte tendência heterossexual e uma fraca tendência homossexual é sugestivo, mas não decisivo. Por que? Porque há diferença dos bichos, o ser humano é muito mais criação do que instinto .
É da natureza humana não possuir uma natureza que determine seu destino.
Nosso instinto é meio de borracha. Vai para onde a vida puxar. A minhoca não. Entra século , sai século , a minhoca age e se comporta como minhoca. Enquanto a vida dos animais é determinada principalmente pelo instinto ( o instinto influi , mas é quase perfumaria, não muda o essencial, o humano é, principalmente, determinado pela criação ).
Admito até que exista uma heterossexualidade de nascença, mas é uma heterossexualidade fraca, apenas um pouco mais forte do que a homossexualidade ( que também existe nos animais). Na realidade nascemos, muito mais sexuais do que homo ou heterossexuais. O ligeiro predomínio hetero é fraco diante da força de outros fatores. Conta, mas não define.
Aparentemente parece que você não é capaz de ficar sozinho: essa palavra sozinho significa inteiramente só. Quando você está realmente só, não contaminado, quando você está realmente livre, você é a entidade humana integral, você é o mundo humano. Mas nós temos medo de ficar sozinhos; nós queremos sempre estar com alguém, ou com uma idéia, ou uma imagem. Estar só não é solidão; a solidão tem a sua beleza: caminhar sozinho pela floresta, sozinho ao longo de um rio não de mãos dadas com uma pessoa ou outra mas sozinho na solidão, o que é diferente de isolamento. Se você está caminhando sozinho, você está observando o céu, as árvores, os pássaros, as flores e toda a beleza da terra, e também, talvez, você esteja observando a si próprio não dialogando com você mesmo, não carregando os seus fardos às costas; você os deixou para trás. A solidão revela o seu isolamento, a sua vaidade, o seu sentimento de depressão. Quando você terminou com a solidão há o outro, o isolamento, que não é uma conclusão ou uma crença que não é uma propaganda que lhe diz o que significa olhar. O isolamento não o empurra para nenhum rumo; quando você é dirigido ou quando é guiado, você se torna um escravo e, portanto, perde a liberdade, totalmente, desde o início. A liberdade não está no fim, está no começo.
Autor: krishnamurti - Perguntas e Respostas - Cultrix
Trecho do livro O Que Realmente Somos?
De: Rogério Pires
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O Universo em sua infinitude nos oferece incontáveis possibilidades de escolhas em nosso cotidiano. Mas mesmo assim, temos os mesmos padrões repetitivos de escolhas. Temos os mesmos comportamentos, escolhemos os mesmos tipos de relacionamentos, mesmos tipos de pensamentos, respondemos emocionalmente da mesma forma a diversas situações que nos são apresentadas durante a nossa vida. Isto se dá pelo fato de sermos viciados em nossos conceitos mentais, da mesma forma que em nossas emoções, e se engana quem pensa que este vício é somente de ordem psicológico, ele é também classificado como bioquímico.
O cérebro é constituído de pequenas células nervosas denominadas neurônios. Os neurônios possuem ramificações para se conectarem e formarem uma rede neural. Cada área conectada está integrada a um pensamento ou memória. O cérebro constrói todos os conceitos através de memórias associativas. Ou seja, pensamentos, idéias, emoções e sentimentos são elaborados e interconectados nessa rede neural e possivelmente todos estão relacionados entre si.
Por exemplo, o conceito de amor, está retido nessa rede neural, mas estabelecemos este conceito a partir de muitas outras diferentes idéias. Um indivíduo pode ligar o amor à decepção, desta forma, quando pensar em amor, provavelmente experimentará uma idéia de dor, sofrimento, cólera e até ódio. Esta auto-afirmação negativa pode estar ligada a uma pessoa, ou acontecimento específico, que remete a inter-conexão do amor.
Temos nossas expectativas em relação ao mundo externo. Quanto mais experiências temos em nossas vidas, mais elas nos servem como um modelo de como o mundo externo se comporta à nossa volta, dando ênfase para uma realidade fictícia de que o mundo externo é uma realidade em separado de nosso Eu Interno.
Qualquer informação que processamos no ambiente sempre é intensificada pelas experiências já vividas por nós e, principalmente por uma resposta emocional associada àquilo que vivenciamos.
Sabe-se que as células nervosas que disparam juntas, ficam interconectadas. Se praticarmos repetidamente sempre os mesmos conceitos mentais, sentimentos e emoções, essas células terão um relacionamento longo, ou seja, se você diariamente ficar com raiva, sofrer, ou cultivar um sentimento de vitima em sua vida, estará re-conectando e reintegrando a rede neural constantemente, criando um relacionamento de longo prazo com todas as outras células nervosas, criando uma identidade.
Isso significa dizer que as emoções são utilizadas para reforçar quimicamente algo em longo prazo em nossa memória. Toda emoção é química. A industria farmacêutica mais sofisticada do Universo está em nosso cérebro.
Há uma parte do cérebro denominada de hipotálamo, ele é responsável pela fabricação de substâncias químicas que determinam as emoções que experimentamos. Estas substâncias químicas são denominadas de peptídeos, pequenas cadeias de aminoácidos. O corpo é uma unidade de carbono que produz cerca de 20 diferentes aminoácidos para formular sua estrutura física. Os diferentes estados emocionais que sentimos a cada segundo estão associados aos peptídeos e neuro-hormônios específicos. Sendo assim, há químicos para raiva, outros para tristeza, outros para sentimento de vítima, para desejo, para o amor, para a felicidade, ou seja, há substâncias químicas para combinar com todos os estados emocionais que experimentarmos todos os dias.
Quando elaboramos uma emoção qualquer, o hipotálamo automaticamente fabrica aquele peptídeo específico e o libertará através da glândula pituitária diretamente na corrente sanguínea. No momento que entra na corrente sanguínea, ele acha seu caminho para diferentes centros e diferentes partes do corpo.
O peptídeo se conecta na célula através de seus receptores, uma célula pode ter bilhões de receptores em sua superfície, a função dos receptores é receber informações que são direcionadas ao interior da célula. Um receptor que tem um peptídeo acoplado a ele muda a célula de várias maneiras. Ele desencadeia uma série de eventos bioquímicos, alguns dos quais podem até alterar o núcleo da célula.
Podemos afirmar que a célula é a menor unidade consciencial do corpo. Há sempre a perspectiva da célula em relação ao organismo.
A partir deste breve entendimento de como a célula interage com os nossos sentimentos e com as nossas emoções, podemos afirmar que todos nós somos viciados nas substâncias químicas produzidas pelo hipotálamo. Não conseguimos equilibrar o nosso estado emocional pelo simples fato de estar viciado nele, na substância química que é produzida pelo cérebro relacionada á emoção que repetidamente criamos em decorrência de uma situação. Buscamos inconscientemente circunstâncias que vão suprir os desejos bioquímicos das células do nosso corpo criando situações que satisfaçam nossas necessidades químicas.
Nós somos as emoções que exteriorizamos, não existe a possibilidade de nos separarmos delas, todos nós estamos constantemente sob a influência das moléculas da emoção, e isso é muito bom, na verdade as emoções são a vida, pois são elas que intensificam e classificam as nossas experiências.
O fato de estarmos viciados em emoções é algo bioquímico, não apenas psicológico. Para se ter uma idéia, os mesmos receptores celulares utilizados para as emoções, são utilizados para a heroína. Podemos nos viciar em qualquer peptídeo natural, em qualquer emoção, pois não observamos nada à nossa volta sem utilizarmos o aspecto emocional.
Imagine que uma célula esteja sendo bombardeada constantemente por um tipo de peptídeo relacionado a um tipo de comportamento emocional, quando esta célula resolver se dividir, a célula resultante da divisão terá mais receptores para os peptídeos neurais do comportamento emocional específico. Este fato nos permite o seguinte questionamento: O que comemos tem realmente algum efeito se as células, após 20 anos de descontrole emocional, não possuem mais os receptores, para receber ou absorver os nutrientes necessários para a nossa saúde? Como podemos sair desse círculo vicioso?
Na verdade, o ser humano é viciado pelo simples fato de não conhecer algo que seja melhor, nunca fomos instruídos a utilizar a nossa mente de maneira construtiva, fomos criados em uma cultura de submissão a um padrão de comportamento que nenhum indivíduo é capaz de realizar em sua plenitude, devido a isso estamos fadados a conviver em uma eterna busca de auto-aceitação. O ser humano deve observar a sua vida de uma maneira ilimitada, acreditar em sua capacidade de criação mental, vivenciar a única realidade de que, ele não está certo e nem errado, ele não é bom e nem ruim, Ele é Deus.
Não devemos acreditar na ilusão de que temos uma vida por que temos um emprego, ou temos uma boa casa, temos dinheiro, uma situação boa, uma boa aparência, na verdade isto é sobre-vida, é uma prisão.
Lutamos para conseguir estas coisas, e quando conseguimos, lutamos mais ainda para as mantermos, pois temos medo de perdê-las, temos medo de experimentar a retirada química dessa perda.
Devemos interagir mais com a nossa espiritualidade, questionar a finalidade real de estarmos vivos, descobrir qual o propósito de nossas vidas, descobrir o caminho certo a seguir, destruir os velhos valores para dar a oportunidade de um novo mundo, onde o controle deste novo mundo está em nossas mãos. Se conseguirmos mudar os nossos pensamentos, nossas idéias irão mudar, as nossas idéias mudando, mudarão as nossas escolhas, mudando as nossas escolhas, mudarão os resultados, transformaremos a nossa vida, romperemos os nossos vícios internos, criaremos novas possibilidades, novas realidades, aprimoraremos o nosso entendimento do que com o que estamos lidando, internamente e externamente.
Trecho Baseado no filme Quem Somos Nós? enviada por Maria Miranda
Enfrente a Adversidade com um sorriso até que ela se desfaça
Você será mais sábio do que a maioria, tão logo perceba que a adversidade nunca é condição permanente do homem. No entanto, essa sabedoria apenas não lhe basta . A adversidade e o fracasso poderão destruí-lo, enquanto espera pacientemente pela mudança de sua sorte. Enfrente-os, e para tanto só existe um meio.
Acolha-os de braços abertos!
Uma vez que esta injunção vai contra qualquer lógica ou raciocínio, é a de mais difícil compreensão e domínio.
Adversidade é como a chuva em sua vida, fria, incômoda e inamistosa. No entanto, é da estação chuvosa que nascem o lírio, a rosa, a tâmara e a romã. quem pode dizer que grandes coisas você produzirá, após ter sido abrasado pelo calor da tribulção e encharcado pelas chuvas da aflição: Até mesmo o deserto desabrocha, após uma tempestade.
A adversidade é, além disso, seu maior professor.
Você bem pouco aprenderá com suas vitórias, mas, ao ser empurrado, atormentado e derrotado, terá aquinhoado uma grande dose de conhecimentos, porque só então estará conscientizado de seu verdadeiro eu, já que, finalmente, libertou-se daqueles que o afligiam. E quem são os seus amigos? O melhor tempo para descobrí-los é quando estiver engolfado pela adversidade.
Recorde a si mesmo, nos momentos mais sombrios, que cada fracasso é apenas um passo dado em direção ao sucesso, que cada descoberta do que é falso o coloca a caminho do que é verdadeiro, que cada provação tem o dom de exaurir alguma forma tentadora de erro e que cada adversidade ocultará , apenas por algum tempo, seu rumo orientado para a paz e a plenitude.
Já se escreveu que uma vida inútil é muito pior do que uma morte prematura. Se os anos em que o seu coração tem pulsado, desde que você emergiu do útero de sua mãe, foram envenenados pelo fracasso e pela frustração, pelas desilusões e descontentamentos, pela derrota e autopiedade, então eu lhe digo que é preciso encerrar imediatamente essa existência infeliz e iniciar a reconstrução de uma nova vida, de um novo ser - um ser impregnado de orgulho, de realizações e paz de espírito.
Não lhe digo apenas que é preicos; digo que você pode! Se quiser, faça de conta que está ouvindo minhas palavras ao invés de lê-las.
" Imagine que repousa sua cabeça cansada em meu regaço, como poderia ter feito há muito tempo, em relação a seus pais. este foi um dia igual aos outros, tendo você lutado com forças além de seu controle, a fim de alcançar um pequeno quinhão de paz e segurança, para si mesmo e para aqueles a quem ama, os quais dependem de seus esforços.
Permita que eu afague e vá desfazendo as marcas deixadas pelas batalhas deste dia, enquanto partilho com você a riqueza da sabedoria de um homem - uma sabedoria que poderá aplicar da maneira que achar conveniente.
Antes de mais nada, seja paciente e ouça o que lhe digo. Nos dois, você e eu, fomos reunidos por algum desígno . Quem pode saber que planos Deus reserva para nós? Quem pode exlpicar o mistério do motivo de estar agora lendo estas palavras, neste particular momento de sua vida, ao invés de ler as escritas por outras pessoas?
Está disposto a abandonar sua vida antiga para iniciar uma nova?
A essa altura não á bem pouco a perder e tudo a ganhar?
Na qualidade de humilde e autodesignada executora da vontade de Deus, permita-me transmitir-lhe o mais inestimável dos bens.
O que irá fazer com esta dádiva tão singular será de sua inteira responsabilidade.
Primeiramente, devo lembrar-lhe que verdadeiros amigos nunca são adquiridos por acasp; são sempre dádivas de Deus.
O primeiro mandamento do sucesso: Você não foi criado para levar uma vida de indolência. O trabalho não é seu inimigo, mas um amigo.
Nunca siga a tentação de dminuir seus esforços, ainda que deva trabalhar para outrem. Procure sempre dar o melhor de si. O que plantar agora, colherá mais tarde.
O segundo mandamento do sucesso - A paciência!
Saiba que quanto mais duradoura a paciência, mais certa será a recompensa.
A paciência é amarga, mas produz frutos doces. Com paciência, você conseguirá suportar qualquer adversidade e sobreviver a qualquer derrota. ela é a chave para a satisfação, não apenas sua, mas também dos que devem viver ao seu lado. Paciência é poder.
Execite-a para fortalecer seu espírito, adoçar seu temperamento, reprimir sua ira, sufocar sua inveja, subjulgar seu orgulho , refrear sua língua, deter sua mão e conduziu-lo, inteiramenente, no devido tempo. a vida que você merece.
O terceiro mandamento : planeja tua rota com cuidado ou ficarás à deriva para sempre. Sem trabalhar arduamente, você compreenderá que nunca será bem sucedido.
Navio algum levanta âncoras e zarpa do porto sem um lugar de destino. Exército algum já partiu para a batalha sem um plano para a vitória. Oliveira alguma já exibiu suas flores, sem a promessa de frutos por vir.
O que você pretende da vida? Será prosperidade, poder, um lar feliz, paz de espírito, terras, patrimonios, posição? sejam quais forem seus objetivos, imprima-os em sua mente e nunca permita que se desvaneçam. Conceda a se mesmo cada oportunidade possível para ser bem-sucedida!
Estabeleça seus planos hoje mesmo. Planeje o que deverá fazer, nos próximos 12 meses, para alcançar seus objetivos.
E finalmente, comece a agir!
O quarto mandamento é compreender que nenhuma condição é permantente. Em sua vida há estações, precisamente como as há na natureza. Nenhuma situação que tver de enfrentar boa ou ruim, será duradoura . Maré alta e maré baixa, nascer e por-do-sol, opulência e pobreza , alegria e desespero... Cada uma dessas forçar prevalecerá em seu devido tempo.
Confie sempre em que as condições serão modificadas. Embora esteja com seu coração oprimido e o corpo dolorido, ainda que com a bolsa vazia e sem ninguém que o console - aguente firme! Assim como sabe que o Sol se levantará, acredite também que chegará um fim para sua fase de infortúnio. Sempre foi assim. E sempre será!
Seu o seu trabalho, sua paciência e os planos feitos lhe troxeram alguma boa sorte, procure aqueles cuja a maré esteja baixa e tente erguê-los. Previna-se para o futuro. Pode chegar o dia em que farão por você o mesmo que ja fez pelos outros.
Lembre-se de que nada é constante. Entretanto, antes de tudo, entesoure o amor que receber. Ele sobreviverá por muito tempo, mesmo depois que seu ouro e sua boa saúde já tiverem desaparecido.
Planeje até mesmo a perda desse amor após algum tempo, certo de que um dia ficarão reunidos para todo o sempre, em um lugar onde não há ciclos, onde não existem altos e baixos, nenhum dor ou aflição e, acima de tudo, nenhum fracasso.
Sei que não é fácil tentar a perfeição. Não é preciso que chegueis a tanto, mas que não se apague entre vós a chama do aprendizado, mesmo que algumas vezes cansativo e até certo ponto dificil. Todas as vezes que nasce um novo dia, urge que vos anime o propósito de riscar do vosso "eu" um defeito.
Irmãos, isto que vos sugiro não é tão custoso como pensais. Para tanto é de bom alvitre que passeis a habituar-vos à um bom exame de consciência e a vós mesmos não será preciso mentir. Assim não vos sentireis acanhados ante vossa própria imperfeição. Começai com pouco sacrifício , certo de que tereis de começar um dia, seja aí na terra onde vos foi dado viver, ou seja no espaço onde passareis a existir.
Sabeis, irmãos, quão facilmente sois sujeitos a cólera, ódio e rancores.
Sabeis, irmãos, com que rapidez se instala em vós a vaidade, o egoísmo, a maledicência.
Sabeis, que sois suceptíveis a um grande número de vícios, quer seja no comer, no beber, no palavreado vulgar e baixo, no sobrepujar os mais fracos e menos cultos e evoluídos. Entre os que não vivem a vida espírita, isto até certo ponto é desculpável, mas a vós não.
Deveis agir e reportar-vos a um proceder louvável em todos os momentos do vosso dia, contendo vosso falar, vigiando vosso pensar, disciplinando vossos vícios, repelindo o encolerizar e assim por diante havereis de conseguir excelentes resultados que acabarão por fazer-vos mais felizes.
Não quero que pensem que só vejo em vós, queridos amigos e irmãos, tão somente vossos defeitos. Oh! Soubessem o júbilo de mim se apossa quando me é oferecido leal e honesto, brandura, caridade, misericórdia e tenho dádivas por vós oferecidas. Assisto comovido vossos trabalhos, sofro com vosso sofrer e também choro com vossas lágrimas. Agora vos dou a julgar quanto me alegro com vossas virtudes, quando me faz feliz vossos progressos espirituais.
Desejo que aprendas muito para que venhais a sofrer pouco.
Aceitem este carinho que é um pouco de mim mesmo.
Irmãos da Colônia Espiritual Triângulo Rosa e Cruz
Não se deve pensar que o incosciente é um almoxarifado, apenas para guardar as más experiências da vida. De modo algum isto é verdade. Assim como adquirimos bons e maus hábitos de agir e pensar, também, estocamos boas ou más recordações. O encanto de uma boa música é mais do que um apelo ao nosso senso estético. É como um caminho que nos leva de volta a agradáveis recordações de bons tempos que passamos com pessoas amadas ou com amigos. O sentimento de bem estar que provém da música que se ouve surge uma associação interna com as lembranças de felizes recordações; lastimamos os dias perdidos, os erros do passado e então choramos. Se a música leva ao nosso percebimento íntimo uma preciação das nossas faltas e a uma resolução para acharmos o lado melhor da vida, a música é tarapêutica.
o que permanece no inconsciete é semelhante ao que resta em nosso cofre de segurança: lá nada há além do que colocamos ou além do que nos tem sido caro. Os impulsos derivados dos velhos e longíquos instintos e das emoções do animal não se enquadram no viver de uma comunidade civilizadae , se for permitida sua continuação, bem como seu aparecimento em nossos " maus momentos" para atormentar-nos, eles darão uma nova cor em nossas vidas, perturbando nossa visão. Para vivermos em paz com o mundo é preciso , primeiramente, sermos capazes de viver em paz com nós mesmos. Uma luta constante entra a consciência, a qual foi criada para um viver harmonioso, e o inconsciente, onde os desejos reprimidos passaram a ser de suma importância, produz um sentimento de frustração emocional e encoraja nossa fuga para uma doença neurótica. enviada por Maria Miranda
Aqui estão algumas sugestões específicas que poderão capacitá-lo a aplicar este conhecimento da sua mente e seu funcionamento
Olhe para trás e considere as coisas que já aconteceram. Avalie essas esquecidas e distantes experiências analisando o efeito doentio que poderão causar na sua saúde emocional. turando-se o esqueleto para fora do armário e , tornando-nos conscienciosamente apercebidos dão influências do incosciente - os desejos reprimidos - é uma maneira de eliminarmos os nossos medos. encare seu próprio íntimo.
Pare de castigar-se através dos seus disturbios neuróticos derivados dos sentimentos de culpa vindo do porão da mebte. Desvie essa mesma energia, culivando algum passatempo, que lhe servirá como um redutor de tensão.<
Tente descobrir os motivos profundos das forças que estão atrás do que você diz e faz. O autoconhecimento íntimo adquirido através da auto-análise o habitará a um melhor conhecimento da sua mente e do seu funcionamento.
Equilibre a sua vida emocional
Faça do saber seu sócio em tudo que você fizer e pensar.
Técnicas de Auto-Análise . O método autobiográfico
A maneira específica de iniciar um conhecimento a respeito do seu próprio incosciente é através do método autobiográfico. Faça um estudo impessoal, escrevendo sua vida. Arranje um caderno e comece a escrever sua auto-biografia. Você ficará surpreendido, quando terminar, do quanto você aprendeu a seu respeito. Comece pelo que você sabe acerca de seus avós. Descreva sua mãe, seu pai e outros membros da família.
Continue com a descrição do seu lar e o ambiente dos seus primeiros anos; das significativas recordações da sua profunda impressão; da sua educação e realizações; das várias posições que ocupa, dos desapontamentos da sua vida, dos amigos e inimigos que fez, das boas coisas que lhe aconteceram; da espécie de hábitos de ver e traços de personalidade que desenvolveu; do que gosta e do que não gosta; das suas atitudes passadas e atuais relativamente à religião, às pessoas e à vida em geral; da sua vida sexual e dos seus planos para futuro.
Naturalmente você deverá ser discreto a respeito do que e do quanto deverá incluir em suas anotações. Não há duvida de que deverá tomar precauções. Tenha a certeza de que somente você e ninguém mais tem acesso ao seu caderno que, depois de lhe ter prestado o necessário auxílio, poderá ser destruído.
Wilhelm Stekel, fazia que muitos dos seus pacientes escrevessem as próprias autobiografias.
Acredito que no coração da maioria das pessoas existe um desejo oculto de escrever a história da sua própria vida.
Quando, porém, escrevê-las não se esqueça de incluir as reações emocionais que teve com relação a casa acontecimento ou experiência traumática. Seja honesto consigo mesmo. Admita qualquer que for o erro cometido e porque você acha que o cometeu.
O importante é chegar a alguma conclusão do que era e como era a sua vida, seu grau de responsabilidade relativo as diversas situações em que se encontrou e algumas das razões secretas que poderão esclarecer seus atuais padrões de hábitos de agir e pensar. Não é intenção do autor fazer de você um psicólogo ou psiquiatra amador. Suas deduções podem ser apenas adivinhações, mas uma coisa posso grantir-lhe: Você saberá mais a seu respeito do que antes.
Quando escrever a história de sua vida conserve um espelho imaginário na sua frente e descreva o que vê e como na realidade você é.
( Texto de estudo realizado no livro Ajuda-te pela psiquiatria) enviada por Maria Miranda